Falam de sensatez e eu só vejo estupidez… – Relato de um pai

Sei que é uma visão parcial, mas é uma visão de um humano, no caso um pai, desabafando sua tristeza por não conseguir conviver rotineiramente e de forma compartilhada com a vida de sua filha.

Acho que serve como ponto de referência nos motivos parciais de um homem para solicitar um pedido de guarda compartilhada.
Deem uma lida e façam seus comentários.
E a você companheiro, só posso esperar que o melhor aconteça para vocês: você e sua filha, que é linda.
Força e honra!!!

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Falam de sensatez e eu só vejo estupidez…

Eu quero ver minha filha e minha ex-mulher se arvora do poder de determinar, quando, aonde, em que hora vai e volta.

Mantém na sua cabeça um pensamento antigo, de que só as mães amam os filhos e que só das mulheres os filhos sentem falta.

Outro dia li uma reportagem sobre uma pesquisa onde se detectou que os homens passam por transformações químicas e emocionais durante a gravidez, eu já sentia isso há 33 anos atrás quando nasceu minha primeira filha, lógico que naquela época não existia tal pesquisa hoje há.

Eu chego em casa e vou no quarto da minha filha, sento na cadeira de balanço e fico olhando para o berço, olho os seus brinquedos, abro o seu guarda roupa, choro, sinto o peito apertar, mas minha ex-mulher acha que isso são sentimentos exclusivos das mulheres.

Muitos dias fico assistindo televisão ou lendo um livro e de repente me levanto rápido para me dirigir ao quarto da minha filha, pois escuto o seu choro de quando se acorda querendo um aconchego, ou solta a chupetinha ou lhe bate aquela fominha, eu sinto tudo isso, mas ela não esta em casa.

Quando fico com ela, é como se o céu se abrisse, olho aquele ser pequenino brincando, sorrindo, iniciando esta jornada que é a vida, nos intervalos das brincadeiras, dou o seu banho, a deixo bem perfumada, hidratada, ponho uma roupinha bem confortável e cochilamos juntos, ela sempre acorda sorrindo, às vezes fica preguiçosa e eu felizardo, carinhosamente tenho que lhe alguns cheiros no pescoço e na orelhinha, até que por fim ela se anima e balbucia alguma coisa e começamos tudo de novo.

No almoço é uma bagunça, come bem e espalha bem a comida por todos os lugares, agora um banho bem demorado, tipo passeio no parque aquático, depois joguinhos, sim tem uns vídeos “Bebê Mais” que a deixa hipnotizada, já à noitinha dou um passeio com ela pelo quarteirão, mas nem sempre ela volta dormindo, ficamos colhendo flores e brincando de arrumá-las sentados em um banquinho de praça, quando chegamos a nossa casa, água e o leitinho, depois sentamos na cadeira de balanço e ela se abraça comigo.

Quando o sono já esta chegando e ela começa a resistir, parece o CID personagem de A Era do Gelo, ela faz manobras incríveis no meu colo e depois dorme tão linda quanto um amanhecer de primavera.

Não entendo porque ela não pode ficar comigo o mesmo tempo que fica com a mãe, não consigo perceber aonde existe alguma coisa que uma mulher possa fazer pela minha filha e que eu também não possa fazer com carinho, boa vontade e um amor paterno/maternal, eu quando estou com a minha filha não sou homem, eu sou pai, sou mãe, sou para ela o que ela necessitar de mim.

Sei da importância da mãe, não há como negá-la, mas ninguém pode negar a minha importância de pai e dizer o que é melhor para minha filha, simplesmente em função do meu sexo.

Devo ser discriminado porque sou homem, acho que não!

Aliás, gostaria de declarar! Se o caso for esse eu também sou mulher suficiente para cuidar, amar e educar a minha filha Ayuni, do mesmo jeito que o fiz com Paty, Carol, Binha e os meus netos Juju, Lelé e Bernardo, lamentavelmente por desencontros da vida não dei a mesma atenção ao meu filho Neto, mas é um amado também, pois na natureza tudo é andrógino, os fetos são concebidos todos do mesmo sexo com o amadurecimento vai se definindo se será um menino ou uma mulher, mas quando falamos disso falamos do corpo, em espírito (alma, anima, etc) tudo é energia e nada no universo pode assegurar que uma mulher pode exercer a função de mãe (falo da essência de ser, pois o homem não teria de virar mulher para isso) do que um homem que permita aflorar a sua sensibilidade.

Fala-se de coerência, o que é mais coerente do que permitir que um pai possa ter o mesmo nível de acesso e convivência que uma mãe no processo de educação da criança, de onde vem esta certeza de que uma mulher pode fazer o papel de educadora melhor que um homem? Sabe de onde! De uma cultura machista ultrapassada, que por incrível que pareça depois de toda a revolução feminina e a conquista de tanto espaço, ainda se usa quando é conveniente, eu não posso aceitar, sei o tanto de amor que existe dentro de mim.

Escrevo para que fique registrado o sentimento e não se perca só em palavras que o vento possa levar, escrevo para falar da minha dor, da minha saudade, do meu amor, da minha vontade de cuidar, de dar carinho, enfim de estar junto como um pai deve estar.

Estou sendo cerceado disso, não porque um juiz determinou, nem o serviço social disse que tem de ser assim, estou sendo cerceado porque minha ex-mulher decidiu que tem de ser do jeito que ela quer e eu não posso fazer duas coisas: 1) Brigar por desespero, pois os conflitos não farão bem a minha filha; 2) Não posso me submeter ao que a minha ex-mulher quer impor, pois assim estaria sendo fraco e como poderei educar a minha filha ensinando-a a ser forte.

Deste ponto, recolho as minhas lágrimas, acomodo a minha dor, na esperança que de todas as dádivas possíveis apenas esta me seja dada e que a justiça dos homens se faça, não a luz destes pensamentos arcaicos e empoeirados, mas que tudo seja feito no caminho do melhor para Ayuni, que ela no futuro possa saber por estas palavras o tanto de amor que sinto por ela e que para Tê-la comigo de forma justa, agüento até ficar longe, para poder estar junto sabendo que fiz o que era correto.

Sátiro Santos
Recife – Inverno de 2012.

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