Fim de um casamento e distanciamento do filho

O primeiro reencontro com meu filho depois da minha separação.
O primeiro reencontro com meu filho depois da minha separação.

É inevitável que com a separação, iremos nos distanciar de nosso rebento.
Eu passei por essa situação e sei que muitos também passaram e passarão.
Mas o que eu descobri, é que não temos a menor ideia do quanto isso se torna difícil posterior a separação.

A separação em si já é muito, mas muito complicado.
Querendo ou não estar separado, entramos num estado de abstinência do hábito de estar casado.
Refeições, fins de semana, dormir, barulhos, ruídos, cheiros, vozes, Natal, Ano Novo, dia das crianças, aniversários, talheres, compras de mercado, necessidade de fechar a porta do banheiro quando em uso, televisão, música, cinema, silêncio, tédio, introspecção, angústia, novas buscas, novos desejos, novas curiosidades, novos planos, perda de antigos planos, perda de relacionamentos ou pelo menos afastamento, perda de objetos comuns, de móveis, de CDs e DVDs, perdas… chega uma hora que se constata várias perdas… começa a entrar num estágio de avaliação do que foi perdido, do que não deveria ter perdido… do que não conseguiu também.

É um momento muito ruim por si só. Como eu disse, inerente de querer a separação ou não, você criar emoções que você não tinha antes, que não imaginava que teria. Isso em relação ao outro, ao conjugue… mais o pior ainda está por vir para aqueles que amam ser pais… o distanciamento do(s) filho(s).

Nossa… eu sabia que ia doer e sabia que ia doer muito, mas mesmo assim, eu não estava preparado para tamanha dor. Ela foi muito maior do que eu sonhei que fosse. Foi constante, lancinante… e sem dar trégua.

Eu encontrei um grande amigo meu. Ele está entrando em separação aos poucos e por isso, já está percebendo a dor que vem a seguir quando se separar de sua cria. E olha que ele tem alguma sorte… tem para onde ir – não faltam amigos para ele se abrigar e até mesmo já constituir nova casa, nova vida pessoal, dividindo um aluguel com gente que o quer bem, que pode lhe dar apoio emocional… a esposa e ele já conversaram sobre compartilhamento de guarda, o que já evita a dor de cabeça de ter uma briga judicial (que nunca é bom de verdade…), mas mesmo assim… ele já sofre. Me comovi com meu amigo, pois sei o que ele passará e ele viu o que eu passei na minha época.

A primeira coisa que dividi com ele, na dúvida dele, foi meus sentimentos sobre não estar mais todo dia com meu filho. Nossa… é uma vida incompleta. Sinto falta dele sempre que não estou com ele. Minha vida é conduzida em função dele. Faço compras pensando nele… ele estando comigo ou não naquele momento. Vou para um bar com os amigos pensando nele… pensando que largaria tudo e todos para estar com ele, naquela hora, naquele minuto… Planejo minha vida, minha profissão, meus amores e desamores em razão dele. Onde eu moro, meu tempo livre, a organização da minha vida é para ele e por isso doí mais, pois não é sempre que estou com… ele.

Não é uma questão de saber ou não se ele está seguro quando não está comigo. Não é uma questão de desconfiar da outra parte… é que você queria estar junto dele o tempo todo que fosse possível. Queria poder ajudar, guiar, ensinar muitas cosias a ele e nem sempre é possível, pois não moro com ele de fato, é ele quem mora comigo em alguns dias o que muda completamente a visão das coisas.

Sei que nós homens somos criados para sermos turrões, para aparentarmos insensibilidade com as coisas emocionais e tal, mas procure apoio com quem já passou por isso, pois você vai querer ouvir dessa pessoa que depois de um tempo as coisas se aquietam um pouco. A dor diminui com o tempo e se transforma em força para lidar com a distância daquela criatura que veio para mudar nossas vidas, completamente.
Procure um modo de aliviar essa angústia, essa agonia. Eu recomendo até mesmo um psicólogo. Terapia me fez muito bem, Atividade física é uma boa também, ajuda a regular os hormônios que estarão justamente se desregulando no processo de separação. Mas procure seus amigos. Procure você mesmo. Vá redescobrir o que você pode fazer, pois agora, não há outra pessoa para dividir seu tempo, o tempo todo, só sobrou você e se não conseguir encontrar a si mesmo, não vai conseguir ser melhor para seu filho, que me desculpe a força da expressão, é mais importante do que você.

Boa sorte e não se esqueça do lema dos romanos: Força e Honra!
Abraço!

Obs: Até hoje eu não tenho um cortador de pizza, pois sempre esqueço que “perdi” na separação e por isso nunca lembro de comprar.
=]

11 Comentários


  1. Nossa… me emocionei. Eu não consigo imaginar a minha vida longe da minha pequena… E tb não consigo imaginar como deve ter sido difícil pra vc… Mas que bom que vc se encontrou! xD

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  2. Poxa… você é um super pai! Hoje me dia um pai não teria esse cuidado que você teve, você tem um sentimento muito lindo pelo seu filho.
    Quase chorei lendo, boa sorte para vocês.

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  3. A separação da minha filha e do meu filho em 1995, foi duro demais, mesmo os levando a escola por quase todos os dias. passando quase todos os fins de semana. O que não tem volta te coloca para frente, pois é próprio da vida.
    Na época eu estranhava a ausência dos pais em reuniões de escola, assim como as vezes alguém me dizia, ao me ver com os filhotes, que eu estava dando uma de babá. Em todas as vezes que me disseram que eu estava dando uma de babá, eu ouvia isso de mulheres, e na minha cabeça estava tão claro que estava sendo o pai, que achava engraçado ouvir isso.
    Os pais não saiam muito a sós com os filhos. Hoje vejo que isso é comum em todas as classes sociais, embora ainda ache que os mais abastados ainda resistam mais.

    Um forte Abraço ao amigo que nunca estará só de fato, pois o amor e a amizade é a verdadeira e grande rede universal..

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    1. Muito obrigado pelo seu depoimento João.
      Saiba que seus filhos devem ter uma ótima referência de pai presente e é isso o que importa.
      Grande abraço!
      Força e Honra!
      =]

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  4. Impossível não se emocionar, Lizandro! Realmente a relação q estabelecemos com nossos filhos é o mais importante a partir do momento que nos tornamos pais e mães. Mas uma coisa é certa: a vida é um eterno aprendizado. Tenho certeza q o tempo q vcs tem juntos é de alta qualidade. Isso q importa! Grande beijo e muita “força e honra” na caminhada!

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  5. Estou a mais de um ano divorciado. Sinto essa dor sempre que a cada 15 dias minha filha volta para a mãe.
    Obrigado por partilhar sua história, me fez ver que não sou o único pai neste mundo a chorar a ausência da filha(o).

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  6. Olá,

    Sendo muito sincero, admiro os pais que podem ter seu filho por perto, compartilhando a guarda de alguma forma, pois eu mesmo não tive até agora essa sorte devido às circunstâncias.
    Logo após o nascimento da minha linda e preciosa filha ainda tentei e lutei pra ela ter o ‘papai’ e a ‘mamãe’ por perto sempre que possível – mesmo com todas as adversidades com a mãe – mas percebi que permanecer no relacionamento ficaria evidentemente impossível que esse sonho se realizasse.
    Poucos meses depois, minhas complicações conjugais foram se agravando, uma vez que tínhamos uma incompatibilidade imensa, mas me perguntei: “O que a criança tem a ver com tudo isso?” e “O que eu seria capaz de fazer para garantir uma melhor estadia para ela nesse mundo?”. Foi quando por amor tomei a decisão mais difícil até hoje na minha vida, que foi deixá-la ir com a mãe. Mesmo sabendo que a veria poucas vezes ao ano, ainda sim faria tudo pra vê-la bem sejam quais fossem as circunstâncias, principalmente a distância.
    Com o coração partido e levado sua maior parte, restando apenas o necessário pra que eu continue a lutar por ela, ainda sofro com sérias dificuldades de comunicação pela falta de maturidade da mãe e a distância que impede quaisquer laços afetivos que for.
    Presumo uma imensurável dor por tempo indeterminado, mas jamais serei abalado em minha fé de tê-la fazendo parte da minha vida novamente.

    Gostaria de agradecer primeiramente a Deus por me guiar até esse POST, onde vejo não estar sozinho nessa dificultosa luta e poder colocar essa fração de sofrimento pra fora,
    como também ao criador do site pelo bom e belíssimo trabalho, dedicando parte do seu tempo pra nos ajudar a superar as dificuldades e desafios de ser pai-solteiro.

    Caso se identifique com o caso, pode me add 19 9.8227-8971 (zap)

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    1. Meu camarada, obrigado pela parte que me toca, mas o que eu faço é só pelo que eu acredito que seja certo.
      Sei como a dor da ausência de um filho doi e só espero ajudar a diminuir isso, espalhando essas situações ao conhecimento de nossa sociedade e assim ampliando o debate a respeito.
      Espero também que você possa ter sua filha por perto algum dia.
      Toda sorte do mundo, camarada!
      Grande abraço do grande!

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    2. Mesmo com a diferença de tempo de leitura de sua mensagem , parabéns pela sua postura e pela sua fé , não são todos que conseguem. Tenho dois filhos pequenos e estou em processo de separação é uma dor que as vezes acho que não vou suportar.

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