Experiência de Gênero.

Machos Femininos? hehehe

Experiência de Gênero

Nesse último fim de semana tive uma interessante experiência de identidade de gênero.
Isso. Quando falo de gênero, falo de papeis sociais em ideologia de gênero.
Não… não beijei um cara, não usei calcinha ou adotei um nome feminino (apesar de ter vários apelidos nada viris, como: Li, Liz, Lili, Lilica….).
Minha experiência foi fazer algo “determinante” como feminino: fiz uma oficina de tricô.
Como foi?? Vamos por partes. Não seja apressado rapaz!

Fui convidado para uma oficina de um projeto chamado “Homens na Agulha”, do professor de Tricô e Crochê, Tiago Rezende. Sim, um professor homem, hétero (hum… sabe que na real eu não sei a orientação dele, mas… não importa) e todo bombado. Não aconselho tirar sarro dele não, que se ele não gostar e quiser revidar, tenho pena do sujeito. Hehehe

Que nada… Tiagão, como acabamos chamando ele, é supergente boa, paciente para caramba e muito competente no que faz. Ele vive de dar aulas e de fazer e vender produtos de tricô e crochê há 5 anos.
Depois dá uma olhada no trabalho dele nas mídias sociais.

A oficina foi um projeto do site “Razões para Acreditar”, em parceria com a marca “Reserva”, com apoio do Marcos Piangers (o pai ativista mais bem-sucedido dentre os que conheço) e participação de alguns outros pais, como o Tomás Dotti do “Papo de Pai” e o Vinícius Lima do “Pai eh Pai”.

Bem, voltando ao tema.
Eu fiz aula de tricô.
E o que foi isso para mim? Foi uma constatação muito simples de que não é a atividade que me faria ser menos homem ou macho (sei lá como prefira chamar). Todos os homens presentes no curso eram ou serão pais (haviam pais “grávidos”, além de solteiros). Todos os homens me pareciam héteros. Todos os pais mantiveram sua mente aberta e nos divertimos para caramba!!! Eu não sei se é assim para outros alunos do curso regular, mas nós nos enrolamos muuuito, demoramos um bocado para chegarmos numa certa autonomia de fazer os pontos, mas… todos se viraram bem e alguns até conseguiram terminar o trabalho dentro do tempo.

Durante a brincadeira – pois encaramos assim e assim rendeu muito bem – rimos uns dos outros, discutimos futebol, MMA, conversamos sobre os trabalhos e projetos paternos que alguns de nós estão tocando, fomos almoçar e alguns tomaram suas cervejas, brincamos que precisávamos cuspir no chão e coçar o saco para não perder a virilidade, mas no geral, foi uma experiência muito divertida, e sei que ninguém perdeu sua virilidade com isso.

Nessa sociedade de ataques e deboches aos homossexuais, de machismo normatizado em conduta social aceita, de inferiorização da mulher e de “determinação de funções sexuais”, alguns de nós constatamos que tricotar não nos fez menos homens. Não nos fez mulher em nada e se nos fez mais femininos, não nos fez menos hétero ou homem por causa dessa experiência. Não determinou qualquer alteração de orientação sexual, ao contrário, foi um ambiente totalmente masculino. E mais engraçado ainda, as mulheres presentes, ao final, sabiam muito menos sobre tricô do que nós e se divertiam com nossas trapalhadas nos primeiros pontos. O que elas acharam disso? Acharam o máximo – segundo relatos de algumas delas.
Lá esteve também a Elika Takimoto, ativista política e feminista, com vários textos nas mídias sociais. O que ela achou? Uma frase dela que eu lembro foi:” – vocês pulverizaram os tabus de que isso não é coisa de homem. Um monte de machos, com conversa de machos, fazendo coisas tão delicadas…”

Se eu irei tricotar em casa? Não sei. Ainda estou com as agulhas e o novelo na minha mochila. Se eu tiver tempo e estiver entediado… quem sabe? Apesar de demorar horas o que o Tiago leva 40 minutos para fazer, só treinando poderei dizer que realmente sei tricotar.
O que isso mudou na minha vida? Nada radical além do que já sabia. Manter a mente aberta, nesse caso, não é ferir minha sexualidade. Que existe um mar de coisas que todos podem fazer que não determinam sua orientação sexual como tantos apregoam.

Como pai, ensinaria isso para meu filho? Eu não, pois me acho incompetente para a função, mas se ele quisesse aprender… não vejo problema. Sei que isso lhe trará muitas vantagens como disciplina, foco e paciência para fazer os trabalhos. Habilidades essenciais para ele vencer no que ele quiser se dedicar na vida. Então… qual o problema? Se ele quiser fazer tricô… já tenho até as agulhas.

Acho que as preocupações em ser macho são exageradas demais.
Não é porque você lava louça que é menos macho.
Não é porque você cozinha que é menos macho.
Não é porque você faz faxina na sua casa que é menos macho.
Não é porque você troca fraldas e faz mamadeira que é menos macho.
Não é porque você faz terapia que é menos macho.
Não é porque você chora que é menos macho.

Minha definição de homem é bem diferente. É ter hombridade, ter honra no que faz, fazer o que é necessário quando a situação pede… é fazer o que tenha que ser feito.
Se você tem medo de perder sua sexualidade masculina por fazer coisas que “só” mulheres fazem… deixa de ser idiota e pequeno. Uma coisa é você ter relações sexuais com um homem, (que é problema só de quem faz), outra é fazer “coisas de mulher”. Orientação e função sexual são coisas completamente diferentes.

Mas cuidado… se você fizer “algo de mulher”, pode acabar gostando e querer fazer sempre. Esteja ciente e prepare-se! Hehehe.
Grande abraço a todos!
Força e Honra, Sempre!
=)

Vinícius (Pai eh Pai), eu e Tomás (Papai Babão e Papo de Pai)
Eu e Elika Takimoto
Marcos Piangers e eu
Prof. de tricô -Tiago Rezende e eu

2 Comentários


  1. Achei muito legal vc ter passado pela experiência. Até sei crochetar e tricotar, mas não sei fazer as curvas e pontes que vejo, quem sabe realmente, fazendo.Aliás, uma frustração que tenho. Aprenda e venha me ensinar a ler receitas. Bjks. Obs.: O Lu tinha muita vontade de aprender fazer tricô e costurar, acho que mandaria bem, mas já perdeu a vontade. Bjks

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    1. Olha… posso até tentar, mas como eu disse, não creio que eu tenha jeito para isso não.
      hehehehe
      Beijos minha linda!
      =D

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