Família Consanguínea

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Só assim pode existir uma família?

Família é entendida como um dos alicerces fundamentais para uma boa base de uma sociedade sadia e principalmente, de um indivíduo.
Estar integrado, pertencer ou constituir uma família é o sonho de muitos que querem se distanciar da solidão ou de um ideal de felicidade em conjunto.

Dito tudo isso, aonde quero chegar?
No Brasil, temos algumas visões em debate com a criação do estatuto da Família e a mais importante é a definição de família.

Uma das bases para se estabelecer uma família pelo políticos que estão aprovando o famigerado estatuto, é o de família consanguínea, ou seja, que tenham o mesmo laço sanguíneo, pelo lado paterno ou pelo materno com uma criança que viva com um deles ou com os dois. A ideia é definir então que uma mãe ou um pai, que tenham um filho e que este more com ele ou ela (ou com os dois), constitui uma família. Alguma composição diferente disso então, estaria de fora dos atributos, direitos e deveres descritos nesse estatuto.

Vejo muitas limitações nessa definição.
Mesmo eu estando incluído nesse esquema, creio que pelo bem estar de um jovem, temos que reconsiderar várias facetas nisso tudo. Procurar entender que isso pode excluir tantas e tantas crianças nesse país que estão de fora dessa definição tão limitada.

Quer exemplos?
– Crianças adotadas ficam de fora, seja de casais homoafetivos, por solteiros ou por casais heteros;
– Crianças que sejam criadas por um outro membro da família, como um tio ou prima, esses estando casados, não farão parte da família, pois não possuem o sangue da esposa ou do marido desse tio ou prima;
– Crianças criadas por irmãos mais velhos, não são uma família se não viverem com seus pais;
– Crianças criadas por padrastos ou madrasta. Mesmo que essa relação tenha começado dentro de um casamento de seu pai/mãe com esse padrasto ou madrasta, se há uma separação (por divórcio ou morte) e a criança acaba vivendo com essa pessoa, eles não são uma família.
– E algum outro exemplo de crianças/adolescentes que não vivam com seus pais sanguíneos.

Mas esses são casos menores, não é? Dentro do total de relacionamentos que envolvam crianças sob guarda, eles não são numerosos, né?
Essa é a desculpa que querem usar para excluir uma criança de uma relação legalmente definida como família??
É isso que será dito para uma criança ou adolescente depois de, por algum motivo,  tiver perdido o convívio com seus pais sanguíneos?
Isso é considerar o melhor para nossas crianças??
É essa a base social que queremos criar??
É o melhor para todos??

Esse conceito gera outro mal social muito grande que é mais imperceptível e discreto, mas que vejo que perdura na postura de muitos homens e mulheres até hoje: numa separação, seja o pai ou a mãe (essa na maioria dos casos) que tenham a guarda unilateral dessa criança, pode gerar na mente desse outro indivíduo a ideia de que perdeu uma família. De que apesar de ter um fruto dessa relação, por não viver mais com ele, pode perder psicologicamente ou diminuir essa conexão e assim perder ou diminuir sua responsabilidade em estar plenamente envolvido na criação deste pequeno ser, deixando a cargo do guardião essa função, porque afinal de contas… ele não vive mais consigo… não são mais, legalmente, uma família.

familia_consaguinea3Daqui a pouco, vamos usar o conceito de bastardo novamente!
Se um pai ou mãe se casam de novo, e tenham uma nova cria, a que veio antes, de uma relação anterior, se enquadra como nessa visão limitada? Apesar de ter o sangue de um deles, a criança que veio depois, filha dos dois, é mais “família” por ter o sangue dos dois?

Acho que isso já acontece sem esse estatuto, mas acho que isso seria mais solidificável com essa definição que entendo estar intrincada na mente coletiva de nossa sociedade e seria então agravada ao invés de descreditada e abolida.
Ao invés de procura agregar, somar e aproximar crianças de quem os guarde, os proteja e os crie, podemos criar uma brecha gigante para excluir-las.
Eu não estou nem envolvendo (ainda) a questão religiosa disso tudo, visto que a maior parte dos políticos envolvidos nesse conceito de sanguineidade familiar são da dita bancada evangélica.
Pretendo falar mais tarde, depois que tiver juntado todas as questões religiosas cristãs (dos ditos políticos) envolvidas no que seria uma família, para gerar questionamentos que validem ou não essa família limitada.

Acho que nossas crianças são a parte mais vulnerável da nossa sociedade.
Nosso dever deveria ser abraça-las e protege-las, mas ao invés disso, estamos legalizando a exclusão de várias.
Entendo que ainda podemos modificar isso, antes que venhamos a manter um conceito tão pequeno dentro de uma relação tão importante e bela quanto o amor familiar.

Para todos aqueles que lutam por seus filhos, sejam sanguíneos ou não, eu sempre gosto de parafrasear o lema romano:
Força e Honra, Sempre!

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Caso eu tenha deixado dúvidas, é nesse tipo de família que eu acredito.

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