Palavrões e Crianças

Palavrões e Crianças

Como alguns devem saber, sou professor.
Não de crianças como meu filho, mas de adolescentes (por tantas vezes, aborrecentes. hehehe). Leciono para o ensino médio, tanto em escola pública quanto em particular. E se tem uma coisa que todos meus alunos sabem a meu respeito é que eu não permito palavrão em sala de aula.
Eu posso estar de costas para a turma, escrevendo no quadro, mas se ouço, eu aponto com meu indicador direito na direção de onde ouvi o som enquanto termino de escrever (sou canhoto) para depois ir ver quem falou o que e perguntar, cara a cara, da maneira mais intimidadora possível, o que foi que o indivíduo disse. É a chance dele se retratar e não ser mandado para a coordenação.
Por isso, quando eu pergunto:
– O que foi que você disse? – eu ouço:
– Borra, Lizandro. Eu falei borra, borra de café.
– Baralho… estava falando que eu queria jogar baralho…
– Boba que pariu… foi fazer besteira sem camisinha… dá nisso…
Eles levam no bom humor e sempre muitos dão risadas em sala por conta disso.

Por várias vezes, eles me perguntam:
– Professor, porque você não permite falar palavrão em sala de aula, se é algo tão comum? todos falam fora de sala, até mesmo você deve falar!
Eu sempre tento fazer eles entenderem o seguinte…
Nós somos humanos e eu acredito que somos feitos de hábitos e esses mesmo hábitos se criam por persistência do uso ou da atitude, no caso, das palavras que usamos. Se tornam habituais. Eu acho que essas palavras não podem ser habituais para qualquer um. Nem todos tem a inteligência de entender que há lugares onde não se pode falar palavrões: igreja, escola, trabalho ou na frente de alguns idosos e principalmente, na minha preocupação constante enquanto pai, na frente de crianças.

Uma vez Thomaz, meu filho, soltou um “porr@”. Eu me preocupei na hora, por um motivo simples: ele pode usar na escola ou em ocasiões inadequadas. Ele não tem maturidade para saber quando pode e quando não pode falar. Ele não entende nem o que significa!
Corrigi ele, repreendi. Disse que é feio falar isso, que ele ainda é muito pequeno e que só quando fosse velho ele poderia falar.

Algumas crianças são adestradas a não falar, outras simplesmente não se interessam, mas eu acho que falar na frente delas, é uma forma agressiva de se expressar perto delas.
Soltar um “vai tomar no c#!” leva ela a entender que é normal ser agressivo e que pode falar assim também.
Crianças são o reflexo do meio onde vivem! Não podem falar na escola e não deveriam falar em casa. Não deveriam ouvir em casa.
Não acredito que deveriam ouvir essas expressões de uma pessoa para outra e principalmente, usadas contra elas.
Palavrão nasceu como uma forma verbal agressiva de se expressar. Não se direciona agressividade para uma criança! Chega a ser covarde, já que pela autoridade, ela não pode – ou não deveria – retrucar, responder. Eu acho absurdo o adulto que faz isso com uma criança. É injusto e opressor, não gera boa relação com o outro, muito pior se for com seus genitores.

Eu tento ensinar meus alunos a serem capazes de avaliar quando podem se expressar abertamente, assim como em casa eu não falo palavrão na frente do meu filho porque estou em ambiente impróprio. Quem me conhece, sabe que falo sim, mas eu entendi que não posso falar em qualquer lugar, por isso, sempre meço minhas palavras. Que por sinal, todos deveriam fazer sempre!
Mas quando meus alunos me ouvem soltando um “c@r@lho, mas que merda!” num desabafo de algum problema, todos arregalam os olhos de espanto e eu os lembro: – não estamos em sala de aula! Já saímos até da escola. Aqui eu posso!
=)

Calvin é um caso a parte, né? hehehe

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