Respeito à Gravidez – Depoimento do Cristiano

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Ontem li um depoimento, no Facebook, de um antigo camarada meu que descreve o problema que ele e sua companheira estão passando com a gravidez dela. Cristiano Yuji Sasada Sato (na foto ao lado, que eu simplifico chamando de Japa, hehehe) e a Hevelin Costa estão no final da gravidez e passaram por muitos problemas durante essa gestação.

Pude sentir toda a importância que a união deles representou para enfrentarem juntos a situação, o que gerou também, um texto muito esclarecedor de uma doença (ou síndrome, não sei definir) pouco comum, mas muito complicada, onde ele, sem perceber, no seu desabafo, mostrou a importância que um pai pode ter nessas horas, não só como auxiliar, mas como ator principal no drama do surgimento de uma criança.

O texto mostra também a dificuldade de se programar um parto normal num país que paga para se ter as cesarianas como referência quase que exclusiva.
Cada vez mais se discute a liberdade de expressão feminina, mas parece que suas opções continuam limitadas ao controle do mercado.

Vamos pensar

Toda a dedicação dele, ele sabendo ou não, mostra o tipo de pai que ele será.
Parabéns ao casal por enfrentarem isso juntos, unidos, pois assim sei que tudo será mais fácil para o melhor desenvolvimento dessa nova família.
Grande abraço aos três: Japa, Hevelin e ao bebê deles!

Segue abaixo o depoimento do Cristiano!
Grande abraço a todos!


Respeito à Gravidez – por Cristiano Yuji

Como espero que a maioria das pessoas já saibam, a Hevelin, minha companheira, está grávida, já no fim do segundo trimestre.

A gravidez não tem sido fácil, nem para mim, muito menos para ela. Desde o segundo mês, à mesma época que constatamos a gravidez, enjôos e cansaços fortíssimos vieram, um quadro conhecido e que acontece com alguma frequência chamado hiperemese gravídica. Pode ser pior ou melhor e, no nosso caso, não chegou a ser o pior. Mas a implicação foram 2 meses quase de cama e com incontáveis vômitos.

A necessidade de se alimentar a cada duas horas, levando a enjôos intensos, se comendo de mais ou de menos, incontáveis idas à noite para o banheiro para urinar, com a bexiga reduzida cansaram bastante à Hevelin também. Qualquer esforço físico excessivo levava à cama e vômito. A quantidade de travesseiros na cama aumenta consistentemente, com o desconforto pra tentar acomodar as tantas mudanças anatômicas. Outros problemas que podem estar dormentes, como crises de asma e problemas de coluna podem aparecer. E é claro que há a preocupação com o corpo que muda e com todo o relacionamento, que é invariavelmente afetado.

Depois do primeiro trimestre, felizmente, no nosso caso a hiperemese passou! Foram bons quase 3 meses de descanso e alguma boa tranquilidade, que se entenderam a quase todos demais aspectos. Há caso de amigo que teve a companheira por 9 meses de cama e só posso imaginar a dificuldade de ambos!

Agora nos encaminhamos para o terceiro trimestre, que dizem, ser de novo mais uma etapa difícil, pelo acúmulo de todas as mudanças que vão acontecendo e se intensificando. Ultimamente o inchaço, decorrente do maior acúmulo de líquidos, tem levado a incômodos, especialmente num nervo da mão que fica comprimido e tem levado a dores e desconfortos bem consideráveis (síndrome do túnel do carpo). Agora, também, aparecem sinais de diabetes gestacional. E a sensação de equilíbrio pelo menos deve ser bem afetada também. E é claro que precisam ser acumuladas energias para o primeiro trimestre após a gestação.

Temos tido também problemas sérios com o plano de saúde: querer fazer parto natural por plano particular neste país, líder em cesáreas no planeta (por causa dos privados) é em si um parto e gestação inteira e merece todo um post e movimento específico só para tratar do assunto. Uma tabela do RJ mostra que de 1700 médicos registrados em planos de saúde só 15 têm taxa de cesáreas inferiores a 50%. O resto tem taxas acima de 80%, a grande maioria acima de 90%. Recomendo o ótimo documentário ‘O renascimento do parto’ sobre todo o drama e importância do tema.

Colocado tudo isto, quero mesmo é apenas dizer que apesar disto tudo os piores problemas ainda vem de fora. A relação entre stress, sobrecarga emocional e quase todos os principais momentos de maior dificuldade é de uma obviedade terrível.

Os ônibus reservam lugares às grávidas, apenas para indicar que ou muitas pessoas não andam de ônibus ou são mesmo especialmente insensíveis e mal educadas.

A gravidez é e sempre será um momento especial e que depende de um esforço conjunto para acontecer de forma saudável. Se a ajuda não é uma obrigação de todos, não atrapalhar a é.

Controle e crítica não são amor, só são se se forem consentidos e se propuserem a somar. E cada um é capaz de saber muito bem quando não é o caso.

Concluo o post dizendo algo que não pode deixar de ser dito. A crítica inclui algumas pessoas de movimentos sociais, inclusive ligados ao parto e até mulheres feministas. Cuidar de uma mulher grávida é uma responsabilidade comum, necessária e que exige a empatia de cada um para não se tornar um trabalho maior do que já é.

Hevelin, muito obrigado por todo o esforço que você tem feito pelo Pan!!! Sabemos que ele será bem recompensado com muitas alegrias sem fim!

Nos atribuamos o direito de nos afastarmos de quem não soma e tudo corre bem!

Te amo muito,
Cris
<3

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Cristiano e Hevelin

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