É a criança quem escolhe com quem deve ficar?

Sou contra uma prática até a alguns anos utilizada em tribunais para definir a guarda de uma criança: a obrigação à criança em escolher com quem quer ficar.
Acho que isso gera alguns traumas, pois parece que ela (a criança) está traindo um dos lados e isso pode afetar o relacionamento dela com os pais.

Isso na suposição de que os pais são maduros o suficiente para não cobrarem do menor a resposta e entenderem que isso não determina quem é melhor.

Recebi essa semana um relato da mãe de um grande amigo meu que me disse como foi para ela esse processo de ter que escolher entre os genitores.

“Li*, quando criança vivenciei isso. Meus pais se separaram e ambos lutavam na justiça minha posse, até que fui chamada a uma audiência e o Juiz perguntou com quem eu queria ficar. Tinha 8 anos. Olhei para ambos (Pai e Mãe) com fisionomia de dor no coração. Só soube dizer a ele (o juiz): é meu pai e ela minha mãe. Foi muito cruel. Com o passar dos anos ficaram amicíssimos e passei a pensar da seguinte forma: dos equívocos dos meus pais tentarei fazer os meus acertos. O tempo é o melhor remédio sempre preservando a criança que é o principal. Bj”
* Esse sou eu. Ela pode me chamar do que quiser, me viu moleque. hehehehe.

Forçar uma criança a escolher um lado, para mim, é iniciar um processo de distanciamento com o outro lado não preterido, não preferido.
Cria um clima ruim para a criança, que é o lado mais importante.

Hoje existem meios melhores para entender a preferência do menor, como sessões com psicólogos.

Disputar a guarda não tem que ser igual a disputar a criança. Ter o controle das responsabilidades legais não é ser dono da criança.

Além do mais, não é uma criança quem tem que decidir o que é melhor para ela, pois se entende que ela não tem discernimento para saber o que é o melhor (apesar de que deveria ser criada para que o tivesse, raras tem essa maturidade).

Quem tem que decidir isso, em primeira instância, são os genitores. Caso não haja acordo ou entendimento, um juiz.
Todo processo de guarda, deveria ser baseado nos princípios básicos da lei 11.698, a chamada lei da Guarda Compartilhada:

“§ 2o  A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e, objetivamente, mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores:
I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar;
II – saúde e segurança;
III – educação.”

Garantindo o melhor para o menor, em caso de disputa entre as partes, ou então no caso de entendimento entre eles, optando pela Guarda Compartilhada.
Não conhece bem o que é a Guarda Compartilhada? Dá uma lida no artigo do site: Pai Legal que explica detalhadamente o assunto.

O foco é sempre o melhor para o menor.
Usem do bom senso e esqueçam os egos, pois os egos dos pais não fazem bem ao menor e nem a si mesmos.
Boa reflexão para vocês!
=]

Duas casas, uma felicidade.

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