Todo meu pesar pelo pai do pequeno Joaquim

Linha do tempo - caso Joaquim (Foto: Arte/G1)

Não vou aqui fazer debates acirrados sobre uma mãe culpada ou não por um crime desses, que sinceramente…
Vou explicar para aqueles que não tem conhecimento do fato ou para que se possa associar ao que falo… mas antes de mais nada… reitero meu título da publicação mais uma vez: todo meu pesar pelo pai do pequeno Joaquim.

Dia 10/nov agora, depois de um sumiço mal explicado, no dia 5/nov, encontraram o corpo do menino Joaquim Ponte, 3 anos de idade, morto, no rio Pardo, no município de Barretos/SP. A criança morava com a mãe, na cidade de Ribeirão Preto/SP a cerca de 100 km de distância de onde o corpo foi encontrado.
A principal suspeita de culpa pela morte do pequeno Joaquim é de overdose de insulina – do qual o garoto tomava periodicamente, pois era diabético – onde o padrasto teria sido o responsável pela aplicação, em colaboração ou omissão da mãe. Os dois estão presos preventivamente e devem passar boa parte das investigações nessa condição.
Maiores informações, procure os sites de notícias e digite: caso Joaquim, que borbulhará um monte de links sobre a tragédia. (eu tenho acompanhado pelo G1, mas… )

Dado as explicações básicas do caso… gostaria – na verdade eu preciso, mas dá para confundir – de comentar a minha humilde e ignorante opinião, pelo viés que tenho tentado valorizar nesse blog, a visão do pai.

Eu não sei o que o pai sabia sobre a situação da mãe e do padrasto quanto ao menino… só sei que ele via o filho de 15 em 15 dias, como reza a cartilha da justiça da vara de família brasileira.
Como li em um depoimento do advogado dele em uma matéria: “Uma criança que vê o pai a cada 15 dias, quando o encontra, só quer brincar e bagunçar e não falar sobre problemas”.
Eu não sei como se deu a guarda dessa criança… se o pai entregou a guarda à mãe ou não, se a justiça determinou a guarda para a mãe… não sei e não quero discutir sobre isso. Quero analisar outro viés sobre essa questão… se o pai tivesse lutado pela guarda, o lema do judiciário brasileiro, é entregar a guarda preferencialmente (me parece uma palavra pequena para a situação de 99,9% dos casos mais ou menos…) para a mãe.

Não importa se a mãe tem um quadro de problemas mentais ou não… se isso não conseguir ser provado em juízo, o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!
Não importa se a mãe está relacionada com gente de comportamento  e caráter duvidoso… isso não tem a mínima importância… o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!
Não importa se a mãe ou o padrasto são usuários de drogas… se não conseguir um vídeo ou uma foto mostrando o fato, ou algumas testemunhas (ah… arrumar testemunhas é um parto maior do que o que gerou a criança…) que acusem a mãe ou o padrasto… o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!
Não importa as condições insalubres em que a mãe possa se encontrar… preferencialmente… o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!
Não importa quem tenha mais estrutura para criar a criança… se a mãe não for declarada incapaz (e quem declara isso???)… o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!

Parece que meu discurso é monótono, mas é que a situação é monótona, pois se o pai não dispuser de meios de provar que a mãe não é capaz de exercer sua maternidade… ele não vai levar a guarda da criança. NÃO VAI!
Se ele tiver sorte, consegue a compartilhada, pois além de tudo, seguindo a premissa de que tem que haver entendimento entre as partes… oras, o que não serve de nada… pois se a mãe declarar que não tem entendimento… o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!

Eu já escrevi sobre isso aqui no blog. Tenho uma publicação intitulada “Guarda Prévia é Negligência”, e é!

No Brasil, criamos uma ilusão perigosa de que a mãe é quem tem o direito inalienável de ter a guarda da criança e se supriu a visão mais racional do fato – o que para mim é um erro gravíssimo, pois não atende ao melhor interesse para o menor… de que a mãe pode não ser capaz de praticar essa guarda.

Me perdoem a frase que gera mau entendimento… mas ser mãe nada mais é do que ter seu óvulo fecundado por um espermatozoide e ter ele se desenvolvendo no seu útero… só isso. Na verdade não é não… isso é uma genitora… é um ato biológico que qualquer  animal fêmea pode realizar, mas… nós humanos, no caso os humanos brasileiros, chamamos qualquer genitora de mãe, até que se prove o contrário.
Me desculpem… se é para o melhor para um menor… todos tem que ser suspeitos até que se prove o contrário, pois caso uma falha “passe” numa averiguação, se condena um ser incapaz de julgamento, para um futuro incerto, com consequências trágicas em níveis psicológicos, emocionais, profissionais, relacionais, filosóficos e tantos outros… além do mais importante, uma tragédia biológica, com o encerramento de uma vida que poderia ter sido evitado lá atrás, evitando assim que uma mãe mate seu filho ou facilite esse fim.
Quando iremos acordar para o fato de que nem toda mulher é capaz de ser mãe!?!? Temos que verificar qualquer indício ruim em prol do menor. Isso não é evidente?!?!

Não sei se esse quadro era visível no caso do menino Joaquim… não sei se o pai lutou ou não pela guarda do seu filho… não importa… pois mesmo se ele tivesse lutado, as chances, pela ótica do judiciário brasileiro é que “o(a) juiz(a) não quer saber… entrega a guarda para a mãe!”

Quantos “Joaquins” ainda teremos que enterrar?!
Por isso, sendo pai e tendo um vislumbre da agonia que ele se encontra agora com a perda do seu filho… que a mente dele tenha paz, pois provavelmente ele não tivesse condições nenhuma de evitar esse fim. Mesmo que ele quisesse ter evitado, já havia sido prescrito a muito tempo atrás, quando a guarda ficou nas mãos da mãe. Ele tendo entregue ou não a guarda, ela, a mãe, conseguiria a guarda com quase 100% de certeza, pois… chega… não quero mais dizer isso…

Todo meu pesar para você, companheiro. De um pai para outro, sinto muito, mas muito mesmo pela sua perda.
Que seu filho, descanse em paz e que você consiga uma hora ou outra sair desse estado, que eu imagino, seja próximo do vegetativo, desgarrado desse mundo frio e dolorido em que você se encontra agora.

Boa sorte para você, Arthur Paes!
=/

Joaquim, de 3 anos, desapareceu no dia 5 de novembro em Ribeirão Preto (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
Descanse em paz pequeno Joaquim!
=/
(foto do arquivo pessoal da família, publicada pelo site G1)

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  1. Realmente, quem lida com a justiça sabe o quanto profunda e verdadeira foi tua reflexão. Irei mais longe, para alguns operadores da justiça a mãe pode até matar desde que diga que foi acidente, eles assinam embaixo. Muito triste este caso, pior que Joaquins existem muitos sendo cuidados pelos padrastos. Que este anjo esteja em paz.

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  2. Pais de 15 em 15 dias e padrasto 24 horas por dia em vários casos tragédia anunciada!

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