"Pai quando dá" – texto e comentário

As vésperas do aniversário de 1 aninho dele, ele arrumou uma bronqueolite e ficou 5 dias internado. Eu fiquei todos os dias com ele e só não dormi um, enquanto a mãe trabalhava.
As vésperas do aniversário de 1 aninho dele, ele arrumou uma bronqueolite e ficou 5 dias internado.
Eu fiquei todos os dias, o dia inteiro com ele e só não dormi um dia. Pai que é pai é assim, e sou assim não porque eu quero, mas sim por que ele precisa e por ele eu faço tudo!

Não quero contrariar nada do que foi dito no texto “Pai quando dá“, do blog femmaterna.com.br e escrito por Camila Fernandes, mas me sinto compelido a fazer meus comentários.
Deixo aqui essas linhas, antes do mencionado texto, para que, quem tiver a intenção de o ler, já entenda que concordo com tudo o que foi dito, mas que tenho algumas observações a fazer.

Não quero comprar uma briga com as autoras do blog, mas só queria mostrar o outro lado, o lado do pai que quer ser presente e nossa sociedade e nossa justiça não permitem, e pior, de mães que evitam a todo custo que isso aconteça.
Eu trocaria de lugar com um mãe dessas na mesma hora. Sem pestanejar.
Sim, sou pai solteiro e mesmo parecendo que é um mundo bem mais fácil ter esse título por ser “fofo ou bonitinho” ver um pai que vive para seu filho, também tem muitos problemas, pois ao contrário de um “pai quando dá”, já desmarquei encontros para poder ficar com ele e não, não tive nova oportunidade; ou então, a mulher não compreender que ela não é minha prioridade e sim meu filho e se tiver que se relacionar comigo, vai ter que conviver com esse fato… muitas não entendem e mesmo que entendam, não aceitam.
Um pai solteiro, vive dilemas parecidos com mães solteiras.

Repito, não recrimino a visão do texto não, pois é assim mesmo que agem a maior parte dos pais e dos membros dessa sociedade que entende que o pai é uma peça a parte quando se separa.
Eu só quero lembrar, que existem pais que lutam justamente pelo oposto, para terem o direito de serem participativos e colaborativos nesse processo e muitos lutam em vão, pois muitas dessas mães e dessa justiça acabam criando esse tipo que eu não sou e sei de muitos que também não o são, o pai “de 15 em 15 dias”, podendo se transformar no “pai quando dá”, quando é um “pai legal”.

Sim, o “pai quando dá” merece ser revisto pela nossa sociedade, mas tem que ser revisto também, o direito de um pai em não querer ser um pai de vez em quando e sim um pai sempre presente, seja pela guarda compartilhada ou até mesmo pela guarda unilateral, pois me desculpem a defensoras ferrenhas da maternidade, mas tem muitos casos atuais de crianças que estariam melhores com o pai do que com a mãe.

Acho que já falei demais.
Leiam o texto e vejam se o que eu disse faz algum sentido para alguém.
Boa leitura!

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Pai quando dá

“Mãe, meu pai vem quando?”

“Queria ficar com meu pai”

O que trago aqui é algo bem comum de se encontrar, embora seja difícil de explicar. Coisa estranha, em geral as pessoas convivem bem com este tipo de pai, ainda que saibam que o que eles fazem, ou melhor, o que não fazem, rebatem nas vidas de todos os que estão a sua volta.

Eu vou falar daquele homem que é pai quando dá.

É mais ou menos assim que a coisa se desenrola: houve uma separação, que entre trancos e barrancos se realizou. A criança fica sob a guarda da mãe, pois isto é o esperado por todos e o naturalmente aceito pela sociedade. O pai se encarrega de contribuir com a chamada pensão alimentícia, isto pode ser feito através de uma imposição de justiça ou ele pode ser um “cara legal” e “ajudar” voluntariamente. Além de contribuir com parte das despesas da criança, ele geralmente passa os finais de semana com o filho ou filha quinzenalmente. Parece que comparecer quinzenalmente é o tempo suficiente pra ser pai. Nem todos os pais quando dá são iguais, existem aqueles que aparecem durante a semana, vez em quando pegam o filho na escola, dão um sorvete.

Os julgamentos e expectativas do mundo afora são relativamente razoáveis para o pai quando dá. O pai quando dá na maioria das vezes é considerado como um bom pai, afinal, ele comparece sempre que pode. O pai quando dá também pode ser considerado como vítima, porque, coitado, ele tem que trabalhar tanto para pagar a pensão do filho, teve até que aprender a cozinhar. E para poucas pessoas, o pai quando dá é realmente um descarado, mas isto é no fundo no fundo coisa de feminista chata que reclama de tudo.

A mulher, a mãe, aquela tão conhecida, fica responsável pela criação da criança no cotidiano (cotidiano aqui resume todas as adversidades e demandas diárias geradas pela vida de uma criança). Porque, sabe? Não é sempre que o pai quando dá pode assumir este cotidiano. Porque este tipo de pai quase nunca pode ficar com seu filho. Ele tem muitos motivos para não poder: ele está reestruturando a sua vida; ele está desempregado; ele trabalha quarenta horas; ele não tem mãe nem empregada pra ajudar; a casa dele é pequena; ele não tem carro; ele é um pobre coitado; coitado dele. Vamos ser compreensivos! O pai quando dá realmente nunca pode ficar, porque ele trabalha muito, é operário, artista, engenheiro, empresário. E quando ele está desempregado, ele também não pode ficar porque está deprimido e sem dinheiro.

“Mas a mulher trabalha também!”, alguns vão lembrar. Mas isto não importa. É que a mulher já está mais acostumada, sabe? Ela trabalha, cuida de criança, se preocupa, leva o lanche que a criança esqueceu em casa, auxilia no dever de casa, leva ao pediatra, arruma um cursinho naquele tempo livre que a escola não cobre, paga alguém pra ficar com o filho, adia a compra de algo para dar uma vida melhor pra criança. Enfim, ela se vira nos trinta e como se pode. Parece que mulher tem o dom natural da “viração”.

Imagem publicada no texto original do blog: femmaterna.com.br

Quando a mãe tem “a sorte de casar” ou “arrumar um namorado”, porque cá entre nós, não tem coisa pior na vida do que ser “mãe solteira”. Um “título” que realmente não cai bem em ninguém e que só existe para o gênero feminino, porque até hoje eu nunca conheci um “pai solteiro”. E se conhecesse acho que isto pegaria bem pra ele, porque seria fofo e bonitinho. Pois bem, quando a mãe trata de “ajeitar” sua vida, o pai quando dá, dá logo um jeito de se fazer presente. Ele aparece para lembrar que a criança tem um pai! E que ele precisa garantir que ninguém está ali para ocupar o lugar legítimo dele. Entretanto, se a mulher tem outro filho nesta nova relação, o pai quando dá pode mudar de atitude e pode vir até a cortar a relação com o primeiro filho. Deve ser porque, se a mulher teve um filho com outro, isto quer dizer agora que ele não tem as mesmas obrigações. Porque se ela foi ter filho com outro, então ele não tem mais nada a ver com isto. Algo se rompeu na pureza da mulher, pureza esta que praticamente de nada lhe adiantava. Mas quando o pai quando dá tem outro filho com outra mulher, ele pode muitas vezes se mostrar um pai presente para o seu segundo filho. Não que isto mude qualquer coisa para a coitada da primeira criança, que teve a infelicidade de ser filho daquela mãe.

Os filhos.

Os filhos criam uma “Super Adoração” pelo pai quando dá e muitas vezes entram em conflito com a mãe, aquela que se encarrega do cuidado deles dia após dia. Convenhamos, tem coisa mais chata que ter mãe todos os dias? Aquela doida que está sempre ali preocupada, com ares de desorganização e que ás vezes transmite a nítida impressão que alguma coisa tem de errado com ela. Legal mesmo é o pai quando dá! Que encaixa a criança onde pode. Quem não exerce mais fascínio do que aquele homem herói que surge como um relâmpago e só aparece de vez em quando? Que como num lampejo de cometa se materializa, do nada, cheio de fantasias, e quando vai embora deixa apenas o arfar daquele suspiro infantil, tal qual uma abóbora que se desvanece após a badalada da meia noite. Um verdadeiro conto de fadas, um conto para crianças, de autoria do pai quando dá.

Ele não se julga, nem se acha ruim, pois sempre olha para o lado e diz: “mas o Renato é pior do que eu”, “o João nunca vê a filha”, “o Marcelo nunca deu um centavo”, “o Luis, ah! Aquele ali comeu e foi embora”. “Eu pelo menos apareço quando dá e pago o que posso.” Isto lhe faz dormir em paz.

E quando ele aparece, ele quer saber como tudo ocorreu naquela semana, ou como foi durante todo o mês em que ele esteve ausente. Ausente não! O pai quando dá não é ausente, ele é ocupado. E se algo está “dando errado” na vida da criança ele questiona, “Mas você é a mãe dela?”, “Ele tem que te respeitar!”, “A adulta é você!”, “Criança não tem vontade”. O pai quando dá entende muito de educar. O modelo de educação a distância deve ter se inspirado na pessoa do pai quando dá.

Quando ele pega o filho ou filha, naqueles momentos que são raros e que a mãe enfim poderia ficar tranquila, ele ainda dá um jeito de mostrar que as coisas não são tão fáceis assim. Ou ele dificulta a comunicação, ou nunca chega no horário combinado, ele se atrasa para chegar, ele não consegue cumprir os acordos, mas o que é isso de acordo afinal? Ele devolve o filho na hora que dá, na hora que está melhor pra ele. E quando a criança fica doente quando está com ele, à culpa é da mãe que mandou a criança doente, ele não pode ir à farmácia nem ao hospital, pois isto é coisa de mãe. Mae desnaturada.

Se a criança não come, foi à mãe, que afinal é quem fica com ela todos os dias que não a educou direito. Se a criança vai mal na escola é porque a mãe não está acompanhado nas tarefas escolares. Se a criança não passeia no final de semana é porque, como se não bastasse toda esta negligência, ainda por cima a mãe quer ter um pouco de vida própria e sair à noite com seu namorado, ou marido, ou amigos e amigas. Mas veja só, que folga! Não entendeu ainda que ser mãe é viver em função do filho e se alienar para o mundo?

A família e os amigos do pai quando dá geralmente exercem certa condescendência com este tipo social. Ninguém nunca o confronta. Ninguém nunca o questiona porque ele é pai somente quando dá. A sociedade tolera estes homens, porque se a mulher já sabia que ele era assim porque diabos foi engravidar dele, né? A culpa, é claro, foi desta desprecavida. Pensasse duas vezes na hora de escolher o pai desta criança.

É que também o pai quando dá não é uma pessoa ruim, não. Ele é um excelente companheiro de trabalho, prestativo, atento. Ele é um amigo de todas as horas. Gente “boaça”. Ele se preocupa com a política, ele ás vezes é até de esquerda, militante de um mundo melhor. Ele vive postando fotos com o filho nas redes sociais. Ele pode não comparecer toda hora, mas que ele ama, isto sim, ah, ele ama esta criança.

Ele inclusive pode estar bem próximo de você, ser até o seu marido, namorado, companheiro, que quando dá resolve lhe “ajudar”, lavando umas vasilhas, olhando as crianças enquanto você toma aquele banho tão esperado o dia inteiro.

Ele infelizmente não percebe nem enxerga que o preço de sua liberdade e de sua mobilidade se faz à custa da territorialização da mulher e do tempo feminino. E que todas às vezes que ele sai pela rua sozinho, caminhando com as suas próprias pernas, é porque tem uma mulher que está fazendo o trabalho de cuidado de seu filho. Sim, porque um dos poderes que o pai quando dá tem é de transformar a atividade de cuidado em um contínuo repleto de sacrifícios. Ele acha que ser pai no cotidiano é coisa de “país de primeiro mundo”. Porque no Brasil não tem isto não, o normal aqui é ser pai quando dá.

Triste e pálido é quando precisamos usar da ironia para provocar o reconhecimento de uma situação lancinante que ocorre não só as mães, mas a todas as mulheres e outros que cuidam daqueles que são filhos de pais quando dá. Em tempos que se discutem a plausibilidade do “abandono afetivo” e da “alienação parental”, é inegável que estas categorias jurídicas, psicológicas e sociais falam em alguma medida desta figura da ausência, do afastamento que insiste em se fazer presente. Porque existe um lugar que não foi apropriado bem como expectativas não correspondidas. Isto não quer dizer que as pessoas não recriem suas vidas, que não existam outros ricos laços para além do pai, que as trajetórias sejam dependentes da figura paterna num delírio compulsório da família nuclear, e que todos estejam fadados ao atavismo biológico incontornável e insubstituível. Não. Isto simplesmente só quer dizer que existem contextos com crianças que, sim, adorariam ter um pai que participa e intervém um pouco mais do que quando dá. E que existem mulheres que poderiam viver suas vidas de forma mais equilibrada, sem tanto sofrimento, se não fosse pelo tamanho do peso que a displicência e conveniência de uns em relação a outrem pode provocar.

E você, conhece algum pai quando dá? Estamos montando um texto colaborativo com as ideias que estamos recebendo. Envie sua história ou sugestão para paiquandoda@gmail.com

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  1. Só quem é essencialista é que vai achar que filhos sempre ficam melhores com a mãe.

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      1. Da mesma forma que você, enfrento problemas parecidos, e concordo com tudo que você falou; não é fácil ser pai presente quando existem muitas forças contrárias. Também já perdi várias atividades e até possíveis namoradas por quererem influir no meu de ser.
        O texto está excelente, mas como tudo na vida, há as excessões.

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  2. Lizandro, mais uma vez, vc é um em um bilhão. Não é a lei ou as mães que criam “pais quando dá”, são as escolhas desses pais. Se o cara quer participar, dar apoio, ser presente, ele é e faz desde SEMPRE. Se ele tem direito a visitas quinzenais, ele liga todos os dias, procura saber da criança, se importa, se esforça pra ter um mínimo de contato e paz com a mãe da criança! O que a mulher quer é q ele demonstre o interesse que NUNCA teve pra adquirir confiança!Mas não é isso que acontece. O que acontece são homens reclamando sua paternidade, mas não movem uma palha pra conseguir, sem contar aqueles que querem tudo isso sem ter contato com a mulher. Chega ser engraçado o cara irresponsável, violento, egoísta, almejar um convívio maior com o filho por puro remorso ou desejo de redenção. O que mais vejo são muitos pais reclamando e poucos fazendo acontecer, assim como vc faz. Eu jamais deixaria meu filho com alguém que não confio, e vc?

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    1. Ressalto novamente Nayara: você está coberta de razão.
      Só queria ressaltar outra coisa, um pai e uma mãe não precisam necessariamente se entende r para que entendam o espaço um do outro.
      Entender que o outro é capaz, não passa pelo campo da simples boa relação, e sim da relação mínima de respeito. Afinal de contas a criatura pode ser péssimo ex marido/esposa e mesmo assim ser bom pai/mãe.
      O que eu vejo é muito genitor querendo participar e não conseguindo ser pai, pois a esses, cabe a boa vontade das mães em “deixar” o pai ter acesso.
      Claro que tem uns cretinos que não merecem nada, mas quando é dado o poder de decisão as mães, retirasse o do pai, de qualquer tipo de pai, do bom e do ruim.
      De novo, acredito que deveria ser decisão da justiça, mas… no Brasil… A justiça, em geral, é cega e omissa.
      Obs: obrigado pelos seus comentários. De verdade.

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  3. Minha cabeça explode de ler essas coisas. Não quero desmerecer pais solteiros, mas pqp. MIMIMI
    Esse seu “[..]mas só queria mostrar o outro lado, o lado do pai que quer ser presente[..] é muito batido.
    Existe? Claro que existe, mas não é a ‘regra’ da sociedade.
    Você tem direito de expor seu ponto? Claro que tem. Mas pareceu que você tava se defendendo como se a moça tivesse falado que TODO pai é daquele jeito.
    URGH.
    Na nossa sociedade patriarcal e machista, pais são descartáveis. Fica pra mulher toda a obrigação para com a criança, como se fosse inerente. Queremos que isso mude? Claro. Mas enquanto os homens sumirem do mapa quando ficam sabendo que a esposa/namorada/que seja está grávida, não dá né.
    “[..]já desmarquei encontros para poder ficar com ele[..]” Aff. Nossa, que sacrifício incrível.
    Pai solteiro geralmente ganha empatia de todo mundo. As pessoas ficam com peninha porque a malvada da mulher largou ele ou o que quer que tenha acontecido.
    Enquanto a mãe solteira é a puta, vadia, vagabunda que não se cuidou, é a mal amada, é a que não sabe escolher homem, “quem mandou namorar vagabundo?”, “na hora de fazer foi bom, né? agora se vira”.

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    1. Nossa… Você é a primeira a se manifestar tão ferrenhamente…
      Eu não entendo seus motivos, mas sim, a maioria dos pais não servem de exemplo e sim, muitas mulheres também não.
      O que eu levanto é a valorização dos que querem praticar sua paternidade e não a luta entre os genitores. Mas que nós pais temos infinitas desvantagens para praticar nossa paternidade, isso é estatístico. Sendo a mãe que for, negligente ou não, ela sempre tem prioridade no debata e não o bem estar da criança.
      Bem… Não sei bem o que você critica, mas acho que sua crítica não foi bem expressa.
      Sinta-se a vontade de fazer-la.

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    2. Obs: batido é mesmo. Justiça ser feita é que não é.
      Obs2: justiça não só para o pai, para o(s) filho(s) obrigados a viver a distância de quem ama(m) também, e é a justiça mais importante que não é feita.

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  4. Lizandro, conheci hoje o seu blog e fiquei muito admirada por saber que existem pais que realmente são pais de VERDADE. Sou mãe solteira e digo (sem desmerecem o seu texto) que nós mulheres sofremos muito mais com o preconceito da sociedade. O pai da minha filha paga a pensão e tenta participar da vida dela, eu tento “engolir” o meu orgulho para manter uma convivência em paz, mas apesar de TUDO o que eu faço continuo sendo taxada de vagabunda ou burra por ter “acreditado” nele, desisti de buscar um novo relacionamento porque nenhum homem trocaria uma mulher solteira por uma mãe solteira. Você diz: “ver um pai que vive para seu filho, também tem muitos problemas”. Nós mulheres temos todos esses problemas e MAIS o preconceito que sofremos, e isso pesa muito e faz a gente se culpar por não sermos o modelo de mulher e mãe que a sociedade exige.

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    1. Minha querida, primeiro obrigado pelo elogio a mim e ao meu blog.
      Depois eu queria lhe dizer que nossa sociedade é muito hipócrita e que você não tem que se atrelar a isso não. Faça o que tiver que ser feito. Se ele, enquanto pai, merece essa paternidade, você está fazendo algo de melhor para sua filha e é ela quem lhe importa.
      Eu ouvi muita coisa negativa na minha busca pela minha melhor paternidade e me sinto melhor por não ter dado ouvidos a isso.
      Nossa sociedade é sim preconceituosa, mas não se feche para um relacionamento não, pois nunca se sabe o que podemos encontrar mais a frente. Permita-se viver, por você e por sua filha, o resto não interessa. Se você tiver isso garantido, o resto não fará falta.
      Boa sorte na sua caminhada!
      Beijo do grande!
      =]

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  5. Lizandro, primeiramente parabéns pelo blog e pela introdução ao texto “Pai quando dá”!
    Sou uma mulher que vive os dois lados dessa moeda. Tenho um filho, hoje com sete anos, que tem um pai do tipo “nunca dá”! Rsrs Ele e sua família me procuraram inúmeras vezes durante minha gestação, mas após o nascimento simplesmente desapareceu. E, como muitas já disseram, passei por uma série de situações constrangedoras que se iniciaram na hora do registro de meu filho. Já ouvi muitas “piadinhas” mas nada q realmente me desorientasse e com o apoio de meus pais e irmã sempre trabalhei muito e consegui oferecer ao meu filho um equilíbrio emocional, social e também financeiro. Meu filho cresce como uma criança saudável e feliz e sem traumas (atestado tanto pela psicóloga do colégio e pela psicóloga particular, que nos parabenizaram pela forma como encaramos tudo isso)!
    Por outro lado, meu atual companheiro, com quem vivo há cerca de nove meses + namoro tem vários desafios para exercer sua paternidade. Desde o seu divórcio ele tem acesso restrito a filha. Ele se tornou um “pai quando dá”, por falta de opção. Até agosto de 2013 só podia ver a filha, hoje com quatro anos, quinzenalmente. Era essa a determinação judicial. Após essa data, teve a visitação suspensa, por conta de uma acusação de maus tratos e abuso contra a filha. Tudo começou após ele procurar a escola da menina para tentar obter acesso e informações sobre o desenvolvimento pedagógico da filha e após comunicar a mãe q levaria a menina para acompanhamento psicológico. Hoje ele vê a filha qdo dá, pois para preservar o bem-estar da menina a juíza determinou q ele e a filha podem ficar juntos por três horas aos finais de semana, com a supervisão de pessoa de confiança da mãe.
    Quando a menina nos questiona sobre o pq não pode conhecer nossa casa, nada podemos falar, pois a pessoa de confiança não permite que o pai responda à filha esse tipo de pergunta. Não podemos mostrar fotos do quartinho, diga-se de passagem sem uso, pois a menina diz q sabe que ele é de mentira, pois é isso o q sua măe lhe disse.
    Hoje estamos na situação de esperar, avaliação psicológica, estudo social, decisão judicial.
    Quando isso terá fim? Não sabemos. Enquanto isso meu companheiro segue sendo um desse pais tachados de “pai quando dá”! Não pq quer, mas pq se tentar ter mais acesso a filha sem a autorização da justiça é tido como pai violento, pai agressivo, pai sem paciência…
    Devemos entender q cada caso é um caso… que pais e mães podem estar sofrendo… e que nem sempre ser o pai quando dá é a opção do pai.

    Responder

    1. Nossa… Muito obrigado por compartilhar seu testemunho querida.
      Fico contente que você tenha conseguido contornar a ausência desse pai ausente, mas tristemente muito tocado com a condição do seu companheiro.
      Eu acho muito triste quando uma criança é privada de sua figura paterna. Espero que vocês tenham sorte e que a justiça seja rápida e eficiente para determinar a inocência do seu companheiro.
      Eu aconselho, que depois de inocentado, corrar atrás de provar a alienação parental que essa menina sofre.
      Eu conheço a autora do texto e sei que ela não inclui esse pai como um “pai quando dá” e sei que ele, por lutar pela sua paternidade, merece todo o respeito de todos aqueles que querem o melhor para essas crianças.
      Beijo do grande!

      Responder

  6. Já havia lido o testo “Pai quando dá” e gostei muito da sua colocação, não podemos generalizar há sim pais que tem como prioridade os filhos como a maioria das mães e que também não são todas, há sempre dois lados da moeda. Parabéns!

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    1. Obrigado!
      Minha intenção era mesmo lembrar que apesar de uma maioria, as minorias tem que ser lembradas ou serão esquecidas, ou pior, colocadas dentro de um mesmo saco de gatos, subtraídos e esquecidos.

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  7. O que deixa nós mulheres indignadas é o fato de que a mãe, casada, viúva ou solteira, quando é uma boa mãe não fez mais que sua obrigação. Enquanto o pai, casado, viúvo ou solteiro, quando é um bom pai, é um herói. Ele também não fez mais que sua obrigação.

    Se a mulher fosse “mãe quando dá” seria chamada de “desnaturada” ou pior. Não importam as circunstâncias.

    Dormiu no hospital com o filho 15 dias? Legal… Não fez mais que a obrigação.
    Deu amor, carinho e atenção? Beleza… Cumpriu com seus
    deveres…
    Impôs limites e preparou o filho para a vida real? Muito bem… É por aí mesmo.
    Trabalhou duro para prover o sustento da prole? Bacana… Quer uma medalha?

    Sendo homem ou mulher o dever de criar as crianças é a mesma. Nenhum dos nossos filhos pediu para nascer, se eles estão aqui, fomos nós que convidamos.

    Tenho dois filhos e um marido que é um ótimo pai. Somos os dois igualmente responsáveis pelas crianças que escolhemos ter . As tarefas desempenhadas podem não ser as mesmas todos os dias, mas esses são nossos filhos, e nós os criamos juntos da melhor maneira possível. E não merecemos medalha por isso. Não fazemos mais do que a nossa obrigação.

    Responder

    1. Você tem toda a razão Mariana.
      Já escrevi um texto sobre isso, o dito “superpai”.
      Acho que cumprir com as obrigações básicas nos torna pais. Superpais é outra historia.
      Logo publico aqui também esse texto.
      Obrigado pela sua atenção!
      Bj do grande!
      🙂

      Responder

  8. “mimimi nem todozomi” nossa que novidade. Migo, você só quer confetti por algo que todas mães solteiras só fazem todos os dias. Berrando aos quatro cantos “mas eu sou diferente!!!111!”
    Nossa é tão diferente que tá aí querendo confetti por algo banal.
    Parabéns você é motorista, não xinga no trânsito! yay

    Entenda: só por você ser “pai solteiro” as pessoas vão ter empatia com você e te tratar como herói e todassss as mães solteiras que fazem exatamente o mesmo que você, em vez de confetti são chamadas de putas.
    Parabéns por ser um floquinho especial – não.

    Você só está fazendo sua OBRIGAÇÃO. Ao passo que o texto da outra autora só mostrava que os homens não cumprem com a obrigação e quando cumprem querem um prêmio.
    Igual você agora.

    Você vai no seu chefe da sua empresa, quando alguém abre uma sindicância pra falar que “o pessoal não dá descarga” pra falar que “MAS EU DOU CHEFEEEEE”

    Para de chorar. Por favor. Sem auto-piedade.
    Siga sua vida. Se você não precisa de troféu, fique calado. Não vá lá avisar pro chefe que você fez a lição de casa.

    Responder

    1. PS o que você faz é o mínimo que se espera dos homens e não motivo pra comemoração e “se destacar”. Se você precisou de um texto para auto-afirmação, mostra que você sabe que será tratado como floquinho especial.

      Deixa de ser trouxa e vai lá trocar uma fralda em vez de aparecer na internet.

      Responder

      1. Olha… normalmente eu não respondo críticas num tom defensivo, mas acho que preciso esclarecer alguns pontos que acredito que deve ter sido falha minha na construção do texto. ..
        Não pedi flores… só citei um relato pessoal para mostrar que pais solteiros também tem seus problemas e sei sim que faço só a minha obrigação, que por sinal, lutei muito pra ter, pois a regra praticada é bem diferente…
        Pais, para serem solteiros, passam enorme dificuldade para exercer sua paternidade. Uma mulher não tem que provar nada para ter a guarda, mas conheço muitos pais que brigam na justiça (alguns brigas que levam anos) para simplesmente poder ver o filho.
        Muitos querem ser presentes e não é pequeno o número de pais que enfrentam enorme dificuldade para ao menos ver seus filhos.
        Mas, ao menos fico satisfeito que a autora do texto entendeu perfeitamente que eu não quero contradizer o texto, só lembrar que não é todo pai que é ausente e muitos lutam para exercer sua paternidade e não conseguem.
        Se dei a entender que fiz “mimimi”, acho que preciso rever essa crítica.

        Responder

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