Guarda compartilhada e rotina de uma criança

Uma das maiores queixas daqueles que são contrários a guarda compartilhada é que a criança não tem a mesma rotina vivendo em duas casas…
Bom… Isso é muito ruim mesmo para uma mente ainda em formação, que precisa ser disciplinada, ensinada, educada e que tem que ter muitas coisas determinada a serem obedecidas ou entendidas.
Uma criança tem que saber que não pode chutar bola em qualquer lugar, que tem que escovar os dentes em determinados momentos, tem que lavar as mãos depois de fazer xixi, tem hora para dormir… E qualquer outra regra que um pai ou uma mãe tem que cobrar desse(a) pequeno(a).
Em duas casas é possível ter essa mesma rotina, essas mesmas regras?
Claro que sim!

Uma amiga minha que é Orientadora Educacional – a 10 anos atuando com casos de crianças de pais separados e em guarda compartilhada – se deparou com um problema pior ainda…
Ela estava “cuidando” de dois irmãos, um de 10 anos e o outro de 6 anos.
Segundo a descrição dela: “Os alunos apresentaram baixo rendimento escolar e uma desorganização total de suas rotinas, visto que as duas crianças ficam uns dias com a mãe, mas esta trabalha e a avó materna também ajuda a cuidar delas; e em outros dias com o pai, e a avó paterna também ajuda a cuidar delas. Enfim, é um vai e vem de idas e vindas da casa de um para o outro e para a casa dos avós… Resumindo: rotinas de estudos em casa com pessoas diferentes, cada um ensinando de um jeito, materiais e pertences esquecidos na casa de um enquanto estava na casa do outro… Uma desorganização total na vida dessas crianças, refletindo significativamente em sua rotina escolar.

Crianças com tantas rotinas diferentes, tinham que apresentar algum problema, o que eu, como professor, estou careca de saber que isso reflete no rendimento escolar deles – notas baixas.
Pois bem… a solução é sentar com os dois pais e explicar que é necessário organizarem o leva e traz de material dos garotos… de que eles tem que tem um horário de estudo, estejam onde estiverem… de que eles precisam ter hora para dormir nas duas casas… organizar o dia a dia deles e para isso os pais tem que chegar a um acordo.

Eu divido o tempo do meu filho com a mãe. Tanto lá como aqui, temos organizações parecidas, mesmo que diferentes. Como assim? Eu não sei o que ele faz no final da noite na casa da mãe dele, mas quando bate 21 horas, ele tem que estar indo para a cama dormir, de banho tomado, cabelo e dentes escovados, roupa de dormir e pimba… dormir.

Em qualquer lugar, a criança tem que ter horários definidos.

Os pais tem que se entender no mínimo para que o filho possa estar de “barriga cheia” (como diz meu filho) nos mesmos horários ou muito próximos… seguir certas regras de comportamento como pedir “por favor” ou dizer “obrigado” e ser cobrado dos dois esse comportamento… Entender que estando com o pai ou com a mãe, tem que dar a mão para atravessar a rua… tem que fazer os deveres de casa… tem que torcer para o time do pai, óbvio (isso não se discute. hehehehehe)… tem que haver o mínimo de harmonia para que a criança não tenha confusão nas atitudes dela.

Essa desculpa que a rotina é diferente na guarda compartilhada não é levada a sério quando se lembra de tantas mães (ou pais) que argumentam isso, mas deixam os filhos em creche integral ou na casa de avós para poderem trabalhar… a rotina que a criança tem, nesses casos, o responsável nem tem pleno conhecimento as vezes, fica a critério de outrem.

Acho fundamental para um bom desenvolvimento da criança, a presença dos seus entes mais queridos, seu pai e sua mãe e uma conversa básica resolve esse “problema” rapidamente.
Eu não acho que seja um argumento muito forte não. O que acham?
Fica a reflexão!
=]

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