O que mudou quando meu tornei Pai Solteiro?

Thomaz e eu_4 anos_5
Eu e minha vida! (então com 4 anos)

Alunos meus de uma das minhas escolas, me solicitaram um depoimento sobre um trabalho onde o tema que eles escolheram é Pais Solteiros.

Claro que eu devo ter servido de alguma influência, já que eles conheceram meu blog recentemente e conversamos sobre isso outro dia, mas, independentemente disso, me prontifiquei em apoiar o trabalho e escrever meu depoimento.

Mas eu gostei tanto da reflexão que tive que fazer para escrever esse depoimento, que resolvi compartilhar com vocês.
Segue abaixo o texto que enviei para eles.

Grande abraço a todos!
=)

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O que mudou quando me tornei Pai Solteiro?

TUDO!

Minha forma de enxergar a vida e o mundo virou de ponta cabeça. Foi um dos maiores choques que tive até hoje! Um grande tapa na cara para a realidade!

Porque?

Eu entendi o quanto eu era egoísta antes, o quanto que minha vida era fútil e sem um propósito realmente edificante, o quanto que meus problemas eram pequenos e irreais e o que eu achei que era uma motivação para viver, era somente uma visão infantil e vazia que iniciou uma alteração radical quando eu soube que iria ser pai, que tomou forma quando ele nasceu e que solidificou quando conquistei a minha vida de solteiro com ele sob minha tutela.

Vivo em torno dele!

É pelas necessidades dele que organizo e estabeleço as minhas, é pelas vontades dele que analiso mais sobre a importância das coisas, é pela vida dele que eu me tornei um novo ser.

Meu tempo é calculado para ele e o que sobra, para mim.
Não posso trabalhar em qualquer lugar, pois tenho que garantir que ele entre ou saia a tempo na escola; não posso ir para qualquer lugar, pois pode não ser ideal para ele; não posso comer qualquer coisa, pois tenho que garantir a alimentação e a saúde dele e inclusive servir de exemplo.

Falando em saúde, hoje encaro com muito mais coragem o mundo, pois sei que tenho que fazer o que é necessário para ele, como segurá-lo fortemente no meu colo, numa cadeira de hospital para a enfermeira costurar a sua boca depois que ele bateu e abriu, dormir em cadeiras desconfortáveis de uma enfermaria porque ele adquiriu uma bronqueolite e precisa ficar internado por 5 dias e, óbvio, ele não pode ficar sozinho; faltar o emprego porque ele acordou com o olho inchado e vermelho de uma alergia forte e correr o risco de ser mal visto no trabalho porque não é comum homens faltarem por doença de filho… Dentre tantas outras mudanças nas minhas prioridades pessoais.

Na vida pessoal, ainda curto da forma que gosto, mas só quando estou sem ele ou quando é possível com ele. Não vou mais para a “night” se não tiver quem fique com ele e mesmo assim, não posso voltar tarde porque no dia seguinte ele acorda cedo e precisa que eu faça seu café da manhã; não posso mais planejar viagens sem saber se estarei com ele ou não, o que muda também a condição dele poder ir ou não, pois não vou para qualquer local ou situação estando com ele; não posso ir no cinema quando quiser, pois ou levo ele (num filme próprio da idade dele) ou não levo (e é por isso que vejo tanto filme infantil atualmente); sei que ele não gosta de barulho, tumulto e de suar muito, por isso sempre tenho que pensar em como reverter/evitar isso e enquanto que antes saia de casa com o celular, chaves e a carteira no bolso, hoje saio com uma mochila “kit criança” que inclui água, outra muda de roupa para trocar, um casaco na possibilidade de frio, lenço umedecido para limpar os pés pretos de sujeira no final de uma festa; lanche para caso ele tenha fome e assim não dar qualquer porcaria na rua que normalmente eu comeria mas ele não pode ou não deve comer…

Aprendi a fazer bolo e gelatinas, costurar, maior noção de saúde e alimentação de qualidade para garantir o melhor para ele, não usar amaciante em roupa preta ou escura, a diferença entre amônia e cloro para a limpeza, hábitos de incentivo para outras áreas de conhecimento para mim e para ele…

Tudo mudou!

Descobri o quanto preciso lutar para provar para a sociedade que posso fazer tudo o que tantas mães fazem, assumi uma luta pela valorização da paternidade e assim me tornei blogueiro e mais compreendido na minha militância.

Criei uma rede de pessoas que passam por problemas de praticar suas paternidades ou em se relacionar com pais de seus filhos, no caso de mães que me procuram para tirar dúvidas do que fazer… cresci mais do que poderia imaginar como pai, como homem e como ser humano.

Sou mais forte e ao mesmo tempo mais frágil, sou mais independente e ao mesmo tempo mais preso, sou mais hábil e ao mesmo tempo mais bobo, pois faço tudo o que meu filho precisa e que eu entenda que é prioritário.

Ser um Pai Solteiro mudou minha vida pois a vontade que tenho de viver hoje, por ter o amor de meu filho ao meu lado, me dá forças que me ajudam a superar qualquer obstáculo para garantir o melhor para ele. Todos os meus medos se resumem a ele, toda a minha energia real vem dele e para ele, por isso me dedico a ele.

Não aconselho à qualquer um não, pois tem que ter estômago para olhar para frente e sentir todo o peso do mundo sobre seus ombros e mesmo assim, conseguir soltar um sorriso sincero toda vez que ele direciona a vida dele para você.
Ser pai solteiro foi a melhor mudança que me aconteceu, pois apesar de ser o trabalho mais pesado que eu já tive em toda minha vida, é o mais gratificante!

10 Comentários


  1. Parabéns.. vc é o pai que quero me tornar.. sei que no momento não está sendo possivel pois estou brigando na Justiça..
    Não entendo pq a relutância das pessoas entenderem o quanto somos capazes.

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    1. Cultura arcaica de que homens não são capazes disso…
      Minha missão pessoal é mostrar que isso não se qualifica mais.
      Vamos à luta companheiro!
      Nossos filhos merecem essa vitória!
      😎

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  2. Pois é, assim cumprimos nossa obrigação todos os dias.
    #tamojunto

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  3. Lindo e admirável. Enquanto a minha experiência está sendo um pouco dolorosa, pois terei que ser mãe solteira também, não foi algo planejado, afinal, quando você está casada e faz planos, tudo parece fluir como manda o figurino, Mas infelizmente hoje estou no meu terceiro mês de gestação e meu marido pediu a separação. Já pedi pra ele esperar e vê o que ele possa sentir ao ver seu filho e tentarmos essa nova etapa. Mas ainda não temos autonomia sobre as escolhas de cada um. Só me resta encarar esse novo desafio!

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    1. Sinto muito por isso querida!
      Espero que ao menos ele se torne pai, apesar de abrir mão da condição de marido.
      Boa sorte querida!
      Bj do grande!

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  4. Que exemplo! Que honra poder ler isso. Estou começando essa caminhada, agora com um pouco mais de segurança.
    Seria uma honra que vc lesse meu blog tbm.
    diariodeumfuturopai.wordpress.com

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    1. Fico feliz em poder contribuir na sua nova jornada.
      Lerei assim que puder.
      Grande abraço companheiro!
      Precisando, estou por aqui.
      Bye!!
      😄👋🏼

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