Pai usa saia para apoiar o filho

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Foto do jornal O Globo, na manifestação dos alunos do colégio Pedro II usando saias em apoio ao colega transgênero (set/2014)

Olha… eu não sei se chegaria a tanto não, ainda mais no caso em questão, mas… hehehe todo amor traz recompensas e esse pai expandiu muito o padrão “apoio paterno” pelo seu pequeno.

Pai veste saia para apoiar filho que gosta de usar vestidos
Pickert e seu pequeno de 5 anos

Nieles Pickert, alemão de uma cidade ao sul da Alemanha, possui um menino de (na época da matéria original) 5 anos que gosta de usar vestidos. Ele resolveu então, não só permitir o comportamento nada ortodoxo do filho, mas apoiar. Ele usa saia para levar o menino na escola e em outras atividades com ele.

Ele diz que quando morava em Berlim era menos problemático, mas agora numa cidade bem menor, vem casando estranheza na população. Conta que uma vez, uma senhora encarou tanto a situação que bateu com a cara no poste e eles riram muito juntos.

Ele faz parte de uma revolução social sobre discussão de gênero, onde a proposta é não só aceitar o gênero do outro, como entender os padrões estabelecidos.
Em outras sociedades pelo mundo, saia não é roupa só de mulheres. Nas ilhas da Polinésia, homens usam naturalmente saias e entre os escoceses, os famosos kiuts, aquelas saias listradas e com cinto, são símbolos de clãs e de nobreza.

Num discurso de Pickert para a revista alemã Emma (onde foi publicada a matéria original), ele diz: “Sim, sou desses pais que tentam criar seus filhos com igualdade. Não sou desses ‘pais acadêmicos’, que dizem besteiras nas aulas sobre direitos de gênero e que, quando têm crianças, voltam ao clichê ‘ele se realiza no trabalho, ela se preocupa com o resto’”

O garoto gostava também de pintar as unhas, o que rendeu ao pai unhas pintadas também. Isso eu até acho mais fácil de encarar do que uma saia. hehehe

A matéria eu retirei do site UOL Educação, publicada em 01/set/2012.

Eu não sei se eu chegaria a tanto não, ainda mais com uma criança de então, 5 anos, que entendo não ter convicção de gostos e preferências sociais completamente formados. A matéria é de 2012 e gostaria de saber como se comporta o filho dele atualmente

No caso de um filho mais velho, acho que seria mais fácil dar esse apoio. Me lembro do caso de um aluno transgênero do colégio Pedro II, aqui do Rio, onde ele foi barrado por usar saia e no dia seguinte, vários meninos da turma, apareceram na porta da escola de saia também, alegando que, ou ele entra ou ninguém entraria. Gerou um debate na escola sobre gênero e chegou ao ponto de alguns professores trocarem o termo “aluno” por “alunx”, para não identificar gênero na grafia.

Entendo que nossos filhos precisam mesmo é de muito apoio para as decisões conflitantes com o status quo imposto em nossa sociedade. Saia e unhas pintadas não determinam a preferência sexual de uma pessoa. Se fosse assim, meninas que usam saia não poderiam ser homossexuais ou bissexuais, o que não é verdade.

É preciso ter muita coragem para romper com essas amarras e o alemão merece meu respeito por enfrentar sua sociedade em prol do seu filho, ainda mais por algo que não vai determinar o caráter de ninguém.

Para todos aqueles que lutam por seus filhos, sempre parafraseio o lema romano:
Força e Honra, Sempre!
Grande abraço a todos!

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