Pais em Ação – ABJ Notícias

Na semana passada eu tive o privilégio de participar de uma matéria do site da Associação Brasileira de Jornalismo – ABJ, em uma matéria sobre paternidade, escrito pela simpática Lia Costa.

Eu e mais dois pais fomos entrevistados e o resultado foi um texto até curto, falando um pouco de como se deu a vida paterna minha e dos meus companheiros.

O texto no site da ABJ foi formatado para o limite de caracteres estipulado por eles. Mas a Lia publicou a matéria mais completa no blog dela.
Quem quiser conferir, dá uma olhada no link: Pai também pode e deve ser pai.

Espero que gostem.
O link da ABJ segue acima e a matéria na íntegra abaixo.
Grande abraço a todos!


Pais em ação – Lia Costa – ABJ Notícias

Phillipe faz cabelo e unhas, Lizandro foi em workshop de tricô e Aggeo se aprofunda cada vez mais no universo feminino. Esses três homens podem não parecer convencionais, mas eles são apenas pais. Pais presentes e solteiros

Lizandro Crus, professor carioca, estava em uma mistura de felicidade e pavor. Sempre quis ser pai, mas agora que o sonho estava prestes a se concretizar pensava nos obstáculos existentes mesmo antes da criança nascer. O papai de primeira viagem não tinha plano de saúde e, como professor de geografia queria arranjar uma escola melhor para trabalhar, pois dessa forma seu filho poderia estudar lá gratuitamente. Até para arrumar o enxoval estava apertado.

Para agregar, nessa época Lizandro e a esposa estavam se distanciando e nem tinham certeza se continuariam casados. O processo da guarda para Lizandro foi uma loucura. Ele não aceitava ver o filho apenas a cada quinzena. “Entrei em paranoia”, relembra. Ele não suportava a dor de ficar longe de alguém que era parte de si e, portanto, foi lutar no Tribunal. Procurou ajuda além do judicial, porque estava com depressão. A psicóloga pediu que ele escrevesse o que estava sentindo para desabafar. Detalhe: ele deveria jogar tudo fora depois. Como professor, pensava que era um tamanho absurdo rasgar uma produção cultural. Considerando isso, decidiu registrar tudo.

No dia 24 de janeiro de 2013 nasceu o blog “Sou Pai Solteiro”. Hoje ele é porta-voz paterno e causa reflexão nas famílias sobre o papel do pai. “Mulher não nasce sabendo, comigo foi a mesma coisa”, fala. O carioca acredita que a sociedade não prepara os homens para serem pais da mesma forma que estimulam as mulheres para a maternidade.

Emma tinha um ano quando seus pais se separaram. Eles não eram mais amigos e a casa deixou de ser lar. Depois de conversarem, decidiram que seria melhor que ela ficaria com o pai. “Eu não me considerava pronto para ser pai”, conta o norte-americano Phillipe Morgese. Ele passou meses lendo sobre o assunto e conversando com amigos. Phillipe inclusive aprendeu a fazer penteados nos longos cabelos de Emma.

Morgese deu início a Daddy Daughter Hair Factory (Fábrica de cabelo da filha do papai, em tradução livre). Da mesma forma que essas informações o ajudaram, ele ajudaria outros pais a se aproximarem das filhas. A iniciativa veio a partir da vontade de que a visão da sociedade sobre a figura paterna pudesse mudar. “Nós vamos encorajar uns aos outros e inspirar a próxima geração de pais para serem mais envolvidos. As crianças precisam de nós”, explica. Para Emma, a palavra “pai” significa alguém que mostra o caminho, se preocupa com ela e sempre está disposto a ajudar. “Pais precisam ser fortes e ter dinheiro para sorvete também”, completa.

Assim como Lizandro e Phillip, Aggeo Simões estava com medo. Sua filha Ava tinha um ano e meio quando ele se divorciou da esposa. Ambos concordaram que seria melhor a guarda compartilhada. “Tive pesadelos horrorosos. Acho que meu inconsciente simulou situações que, quando acordado, me fizeram ficar alerta”, declara. Aggeo decidiu compartilhar sua vivência com outros. Assim criou o Manual do Pai Solteiro, primeiramente um blog que agora tem a versão física em livro. Embora Simões siga o exemplo atencioso e amoroso do seu pai, admite que na geração dele o homem não costumava tomar conta de criança. “Era tido como coisa de mulher”, revela.

Tudo que as mães contam passar, eles passaram. “Coloque as crianças no primeiro lugar e você vai descobrir uma felicidade que é impossível de explicar”, afirma o norte-americano. Segundo Morgese, a paternidade é um presente de Deus. Ele se sente abençoado por ser professor, guarda-costas, enfermeiro, cozinheiro e treinador da vida.

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