Por que é importante falar de paternidade?

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Por que é importante falar de paternidade?

 

Porque é um dos grandes elementos que está faltando na nossa sociedade.
Pois é, já vou logo entregando o jogo.
Mas o que quero dizer com isso? O que isso realmente significa?

A maternidade está aí. Todos podem ver.
De maneiras positivas e negativas, ela é sempre presente na visão coletiva.
Sempre haverá a referência da importância materna, mesmo para aqueles que não tiveram mãe, mas… a importância paterna tem se mantido distante do consciente coletivo.

Vivemos numa sociedade onde se é comum a ausência paterna. Apesar de me parecer um cenário triste, gerou uma linha de entendimento de que é possível crescer sem pai e ser feliz. Sim, é possível, mas também é possível crescer com um buraco na alma e vivenciar consequências negativas para o resto da vida, e isso não é debatido. Mesmo que seja, não se destaca a solução para essa lacuna: tornar os pais mais presentes na vida dos filhos.

Não me refiro a inocentar ou perdoar pecados paternos como o abandono ou a negligência, mas sim a criar um novo paradigma paterno. É criar novos pais e educar antigos. Precisamos mostrar para nós mesmos que pais são importantes e assim exemplificar e incentivar novos modelos paternos.

Conheço as origens desse problema e não, não é na separação ou na criação solo materna, não é na legislação brasileira e não é o caráter dos homens. Tampouco no “dom divino” das mulheres… é algo anterior a tudo isso: trata-se do modelo desigual de gênero da nossa sociedade patriarcal.

Somos criados para que mulheres sejam mães e homens sejam provedores do lar. Esse ainda é o nosso modelo familiar, mesmo num tempo em que a mulher esteja lutando por uma participação maior no mundo e no mercado de trabalho, ainda achamos que o homem tem a única obrigação de prover o sustento da casa, em uma visão de funções claramente divididas.

Então, quando acontece uma separação, torna-se obrigação da mulher cuidar da cria e do homem sustentar isso por meio de pensão alimentícia. Mesmo antes, dentro de um casamento, quando o homem se distancia de participar das atividades do educar, como nas tarefas escolares, é a mulher quem tem que ir na reunião de pais da escola, pois o homem não pode faltar ao trabalho para isso, afinal… ele é o responsável pelo provimento da casa e tem que focar nisso. Como é um “dom divino” feminino, cabe à mulher toda a responsabilidade de ficar com a criança e arcar sozinha com todo o ônus da criação. Não é?! NÃO! Não é! Isso está errado!!!

Temos que gerar um novo modelo. Temos que criar novos pais, novos homens, novos seres humanos. Temos que fundar uma nova instituição familiar, mais participativa e colaborativa no que diz respeito às crianças. Temos que fincar na raiz inconsciente da nossa sociedade que esse modelo tradicional de paternidade tem que acabar. Temos que educar homens e mulheres a buscar um modelo novo, de pais ativos. De pais reais.

Esse modelo já está em curso, na verdade. Já se tem notícias e exemplos pelas mídias jornalísticas e sociais, pelas reuniões escolares, pelos parques públicos e espaços infantis, dentro de algumas reuniões de família… já se ouviu falar desse novo modelo de pai.

Aí surge outro problema: o radicalismo na hora de falar e de se praticar esse novo modelo. Em geral, se dá no dualismo em que: a) Se endemoniza o pai, pois se cresceu em uma sociedade onde ele não é “relevante” para o desenvolvimento infantil, já que tantas crianças crescem sem pai de fato, então o diferente só quer aparecer, ou; b) O oposto, supervalorizando-o, considerando superpai aquele que faz o que outros não fazem, onde homens e mulheres endeusam pais ativos e os colocam quase como ídolos, passíveis de inveja, despertando desvalorização de tantas mães que fazem o mesmo e nunca receberam a mesma atenção por isso.

Não é isso! Não é superpai aquele que troca fralda e acorda às seis horas da manhã para preparar o dejejum dos pequenos. Assim como não acredito que sejam grandes as chances de uma pessoa crescer plena com a ausência paterna. Acho que o pai tem que ser participativo e ponto. Tem que ser uma obrigação social dentre as mais importantes, assim como ser gentil com os outros ou não roubar. Tem que ser algo normal.

Entretanto, para entrar na normalidade do consciente coletivo, precisamos dar exemplos. Precisamos falar mais sobre esse novo modelo. Precisamos destacar esse novo modelo. Aí sim, entra a questão das mídias e da educação social. Precisamos incentivar esse modelo, mas sem diminuir uma parte que já existe, a da mãe. Temos que criar um todo para igualar e gerar equilíbrio, sem menosprezar o outro peso dessa balança.

Paternidade ativa e participativa tem que ser propagada para igualar a questão de gênero, para diminuir o peso jogado sobre as mulheres e, junto com tudo isso, criar um novo modelo masculino que alguns homens nem sonham que possa ser tão maravilhoso, pois criar uma criança é algo inexplicável. É mágico ver seu desenvolvimento emocional, cognitivo, motor, sensorial, lógico e de tantas outras formas e estar presente nesse crescimento só nos torna melhores. Não há nada tão simples e bobo como o sorriso de uma criança, algo que pode mudar seu dia, sua vida, e que nos traz mais recompensas do que tantas outras coisas que são ditas como mais importantes nessa vida.

É amor. E se não for por amor, qual a graça de se viver?!

Vamos mostrar que é possível um novo modo e que assim se ganha mais amor do que se poderia imaginar que existia. Que sexo nenhum lhe dará, que posição profissional nenhuma lhe dará e que nenhum produto que se compre lhe dará. Se entregue a uma criança e terá amor direto, puro e pleno. Sem jogos de conquista, sem nada em troca, só atenção e dedicação.
Ensinemos nossos homens a serem melhores pais do que são agora. Incentivemos os homens a entrarem de cabeça nesse novo paradigma familiar e paterno. Criemos nossos filhos para serem pais melhores do que os nossos, do que nós. Só assim poderemos equilibrar muitas diferenças sociais e acima disso, criar crianças mais felizes e mentalmente mais saudáveis, para uma sociedade melhor.

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