Separação/Divórcio e filhos – Como lidar? – texto e comentários

Achei um texto bem interessante outro dia.
Um pouco tendencioso, mas no geral é um bom esclarecedor do melhor caminho para os pais lidarem com a separação quando tem uma criança envolvida no processo.

O texto é da Renata Castro, coaching de relacionamentos e está no seu blog: Transformando sua Vida.

Antes do texto, quero ressaltar dois detalhes para leitura.
Primeiro, não é visitação o termo mais correto e entendido pela magistratura quando se define o período de vivência do não-guardião, pois pai e mãe não é visita para um filho. O mais acertado é período de convivência.
Segundo, coaching não é a única opção (e nem sei se a melhor) para os traumas pós-separação, existe a psicologia como melhor alternativa para entendimento de seus sentimentos. Se o coaching for psicólogo, problema resolvido, mas como não é a formação de origem de todo coaching, o ideal é primeiro alguém da área de saúde mental/ocupacional.

No demais, acho que é um norteador muito bom para as relações entre ex-marido e ex-esposa no lidar com os filhos numa situação de separação.

Segue o texto semi-integral abaixo. (no final, havia uma autopromoção por parte da autora para seu trabalho de coaching). Qualquer dúvida, entre no link do texto original: Separação/Divórcio e Filhos – Como lidar?
Grande abraço a todos!
Força e Honra, Sempre!
=)

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Separação/Divórcio e Filhos – Como lidar?

Uma separação harmoniosa não traumatizará a criança e poderá proporcionar um convívio sadio com os pais.

A separação/divórcio está se tornando cada vez mais comum. É raro hoje em dia verem casais que após 5, 10 anos de convivência, ainda estejam juntos e plenamente felizes. Relação desgastada, brigas, falta de desejo sexual, a questão financeira, falta de comunicação, diálogo entre o casal, tudo isso faz com que o processo de divórcio seja doloroso para ambas as partes. E as crianças? Como os filhos ficam diante do fim do casamento dos pais? Essa experiência, que já não é fácil para os pais, pode se tornar devastadora para as crianças, quando elas se tornam alvo das disputas e quando servem de depositário das frustrações dos pais.

A separação do casal pode gerar um sentimento de insegurança e culpa nas crianças. Mas, manter um casamento por causa dos filhos é um dos erros mais frequentes e péssimos que acontecem. Uma separação amigável é infinitamente melhor para uma criança do que uma convivência desarmônica e conflituosa, cheia de desavenças, brigas, onde será criado na criança, um modelo distorcido de família e amor entre casal.

É fundamental que neste momento você esqueça toda a dor que a separação esteja lhe causando e que você converse com seu ex para minimizar ao máximo os impactos do divórcio na vida do filho. É essencial que ele seja comunicado do que está acontecendo, porém não há necessidade de informar que um traiu ou deixou de trair, ou que um fez isso ou o outro nunca fez, enfim, as explicações e informações devem ser adequadas à sua capacidade de compreensão. É subestimar demais, pensar que a criança não sabe que está acontecendo algo diferente, ou que não entende. Pode ser que ela não compreenda o que é um divórcio, mas ela sabe que as coisas estão diferentes do habitual, ela sente, e por isso tem que ser comunicada.

É importante que ambos os pais conversem juntos com o filho sobre a separação. O filho deve saber que, independente das mudanças que fatalmente irão acontecer, o vínculo com seus pais não está ameaçado.  A comunicação reforça um sentimento de segurança e de confiança da criança em seus pais, e isso é fundamental para uma boa relação e um melhor entendimento da separação. Quando tudo estiver acertado sobre o divórcio, a criança deve ser informada com quem irá morar se ela não tiver discernimento para optar dependendo da idade e condições dos pais, e como funcionará sobre as visitas  e os períodos que irá passar com um ou outro.

A criança deve ser estimulada a expressar o que senti, deve ter liberdade para expressar seus sentimentos de tristeza e insatisfação. Suas preocupações devem ser exteriorizadas e discutidas, para que não se transformem em culpa e dúvidas – “será que eles estão se separando por minha causa?”, “será que eu fiz alguma coisa errada?”. O filho deve compreender que essa é uma decisão do casal, e não dos pais e que estes serão sempre seus pais e que nada irá mudar em relação ao amor e carinho dispensado a ele.

Um dos maiores erros cometidos no processo de divórcio é incentivar o filho a tomar partido por um progenitor. Ficar falando mal do seu ex para seu filho é uma falha grave que deve ser evitada ao máximo, ou melhor, é uma prática que deve ser abolida por você. Evite brigas na frente das crianças, pois ele pode ter sido um péssimo marido, mas com certeza pode e deve ser incentivado a ser um excelente pai, pois seu filho precisa da presença dele, para amenizar possíveis traumas.

É interessante que os pais comuniquem à escola sobre esta fase, e peçam para que sejam informados caso haja alguma mudança no comportamento e no rendimento escolar. Além disso, é essencial que a criança continue mantendo contato com as duas famílias: avós, primos, tios e todos os outros com quem tinha relação antes da separação, pois o divórcio está ocorrendo para os pais, não para a criança e devemos entender que as desavenças são entre os adultos e nunca com seu filho, sua sogra pode detestar você, mas ela sem dúvida ama seu filho, até porque é neto dela e também sangue do seu sangue.

Pode ficar tranquila que filhos de pais separados não tornam-se adultos traumatizados. O que vai diferenciar uma experiência traumática de uma não-traumática é como a separação se deu, como esta criança viu, ouviu e sentiu durante o processo de divórcio, e quais condutas foram tomadas pelos pais a fim de suavizar as dores, os medos e conflitos advindos desta situação, ou seja, como foi a comunicação dos pais no momento de abordar o assunto com a criança. Mesmo que o sofrimento seja inevitável, afinal a separação interfere em toda a vida familiar, se feita de forma adequada e preocupada com a criança, ela continuará saudável e equilibrada, sentindo-se amada e segura e principalmente, não precisará carregar uma culpa que não lhe pertence.

Não hesite em contatar um profissional caso não seja possível enfrentar essa situação sozinha. Passar por um processo de Coaching pode auxiliar você no processo de entendimento e cura desta dor tanto para você mãe e mulher, como para a criança, minimizando assim possíveis traumas e conflitos.

Se você se encontra nesta fase, não hesite, procure ajuda o mais rápido possível, pois quanto mais tempo demorar, pior será para seu filho.

(…)

4 Comentários


  1. O texto embora bem intencionado e em parte correto, é coletânea de outros artigos (antigos), cabendo ressalvas e correções. Por exemplo, não se pode afirmar para a criança como serão os períodos de convivência, uma vez que será o magistrado, e não outro, a dar a palavra final. Pode-se sim é explicar que, independente da periodicidade, as leis atuais (2016) de nosso país determinam que seja aplicada a Guarda Compartilhada, assim o REAL interesse da criança, continuar a ter MÃE E PAI, são preservados. Por fim, se aqueles de quem se espera sejam adultos, mantiverem a consciência de que o que se encerra é um casamento, o que pode have é ex-marido ou ex-esposa mas que JAMAIS HAVERÁ o encerramento da filiação e que não existe ex-mãe nem ex-pai, este pensamento, esta convicção de ambos, por si só será o guia para que os filhos atravessem esta fase da melhor forma possível e sentido que seus pais, embora separados um do outro, os amam verdadeiramente.

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    1. Acho que o entendimento entre os pais é possível é assim possam sim combinar antes da decisão judicial o período de convivência, pois em acordo entre as partes, o juiz só homologaria o combinado. Mas se uma das partes resolve em juízo mudar tudo, aí realmente não estão facilitando as coisas para o menor. Interrompendo um processo harmonioso, mas fácil de ser entendido pela criança.

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  2. Caro LIZANDRO: Sou um dos 12 autores do ante projeto de lei, e o responsável por apresentar o texto ao então Deputado Federal Dr. Regis Fernandes de Oliveira, que apresentou o PLC 4052/08 que resultou na lei 12.3138 / 2010 – Lei Contra a Alienação Parental e , junto cm o Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá, co-redator do texto do PLC 117 / 2013 que institui a Guarda Compartilhada como a Guarda Padrão no Brasil. Com base em tudo o que já vivi junto ao judiciário posso lhe garantir que, embora um consenso entre os pais seja 90 % do caminho, talvez menos, talvez nada, a homologação dependerá de coisas outras como, desde se o entendimento dos pais encontra amparo na lei, até , em condições fáticas, de como pensa o magistrado ! Não é incomum que, embora AGINDO DE FORMA ILEGAL, um magistrado deixe de homologar um acordo apenas porque sua convicção pessoal não concorda com ele ! Triste ? Sim, muito triste , tais magistrados devem ser sumariamente exonerados ! Mas eles existem e, devemos nos atentar a isto ! Sucesso a todos(as).

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    1. Obrigado pela contribuição companheiro.
      É uma pena que muitos vivam do ego e não para a justiça.
      Grande abraço meu querido!

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